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Peso mexicano vira hedge contra tudo, até contra o Brexit

Isabella Cota

(Bloomberg) -- Investidores encontraram mais uma utilidade para posições vendidas em pesos mexicanos: proteção contra o risco de saída do Reino Unido da União Europeia.

Na véspera do referendo sobre o Brexit, o peso está na maior sincronia com a libra esterlina em quase um ano. A moeda mexicana caiu junto com a libra em maio, quando as pesquisas de opinião mostravam maior chance de voto pela saída do bloco.

As duas moedas se valorizaram juntas em dois dos últimos três dias, com as pesquisas sugerindo avanço da campanha pela permanência do Reino Unido na UE.

O aumento da correlação significa que os investidores podem vender o peso a descoberto como forma de hedge contra a reação dos mercados globais a um eventual resultado pela saída -- que gente como a presidente do Fed, Janet Yellen, e a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional, Christine Lagarde, preveem que será dramática.

O volume diário de negócios com o peso fica na casa de US$ 135 bilhões e a moeda é usada como referência para risco. Por isso, é usada por investidores para se proteger de eventos como uma vitória de Donald Trump na disputa presidencial nos EUA e um pouso forçado da economia chinesa.

O saldo líquido de posições vendidas subiu nas seis semanas consecutivas até 14 de junho, de acordo com os dados mais recentes da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC).

Piores desempenhos

"Eu certamente não gostaria de estar comprado em pesos mexicanos se o Reino Unido votar pelo Brexit", disse Chris Lawrence, estrategista do Rabobank International, em Nova York, que recomenda posições vendidas em pesos a clientes preocupados com o referendo. "O peso pode ter um dos piores desempenhos, afora o euro e a libra esterlina."

As autoridades mexicanas lamentam o uso do peso como hedge e, em fevereiro, surpreenderam ao adotar medidas para desestimular a especulação. Após uma onda inicial de valorização, a moeda retomou a trajetória declinante e acumula queda de 7,7% neste ano.

É o pior desempenho entre as moedas de países emergentes. Analistas projetam apreciação de 2,4% até o fim do ano, de acordo com a estimativa mediana de uma pesquisa da agência de notícias Bloomberg.

A previsão de Lawrence é a terceira mais pessimista entre as dos analistas que cobrem o peso. Ele projeta depreciação de 2,6% no período para 19,13 pesos por dólar.

A disparada da libra nos últimos dias praticamente eliminou a perda em relação ao dólar em 2016. Porém, a libra ainda é a segunda moeda importante com pior desempenho no ano, sendo o peso mexicano a primeira.

O avanço da libra reflete o maior apoio à permanência do Reino Unido no bloco, mas o ganho esfriou na terça-feira com a divulgação de uma pesquisa sugerindo que a vantagem é bem pequena.

A correlação em 120 dias entre a libra e o peso subiu para 0,41, mais que o dobro do observado no início do ano. Uma correlação de 1 significaria que as moedas se movem exatamente da mesma forma, enquanto menos 1 indicaria movimentos exatamente opostos.

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