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Bancos centrais elevam oferta de dinheiro após Brexit

Jeff Black e Christopher Anstey

(Bloomberg) -- Os bancos centrais de todo o mundo ofereceram novos recursos ao sistema financeiro e realizaram intervenções nos mercados de câmbio em um esforço para tranquilizar os investidores, que entraram em pânico após a decisão do Reino Unido de deixar a União Europeia.

Depois que a maioria dos britânicos votou pelo fim dos 43 anos de adesão à UE em um referendo, o Banco da Inglaterra, o Banco Central Europeu e o Banco do Japão (BOJ, na sigla em inglês) emitiram comunicados ressaltando a disponibilidade de liquidez para a manutenção do funcionamento do sistema bancário. O BOJ levou os bancos centrais suíço e dinamarquês a mostrarem prontidão para a venda de moedas locais para conter os ganhos causados pela busca dos investidores por refúgio contra a turbulência.

O Grupo dos Sete países pode realizar uma discussão ainda nesta sexta-feira e membros de cerca de 60 autoridades monetárias mundiais se reunirão neste fim de semana na Basileia, Suíça. Além das oscilações iniciais, os bancos centrais enfrentarão questionamentos em relação a como poderão respaldar o crescimento e cumprir metas de inflação em um momento em que os instrumentos de política monetária já estão esticados e que está surgindo uma nova ameaça ao crescimento, em particular na Europa.

"Os bancos centrais são sempre a primeira linha de defesa e podem fazer algo para estabilizar a situação, mas não podem alterar fundamentalmente uma trajetória negativa", disse Guntram Wolff, diretor do Bruegel Institute, com sede em Bruxelas, por telefone. "A política monetária estará operando com uma enorme incerteza e a percepção de que o sentimento antieuropeu pode realmente vencer pesará sobre o sentimento e poderá trazer de volta a possibilidade de recessão".

Os títulos italianos e espanhóis caíram e os alemães subiram porque os investidores evitaram dívidas de yields mais elevados, preferindo ativos seguros. O yield adicional que os investidores exigem para manter títulos de 10 anos da Espanha sobre títulos alemães de vencimento equivalente atingiu o nível mais alto desde 2014, enquanto o diferencial de yield da Itália teve o maior aumento em quase um ano. Os yields dos títulos do Tesouro dos EUA tiveram a maior queda em sete anos.

Intervenções ao mercado

O franco suíço teve a maior valorização desde que o banco central do país elevou seu limite em relação ao euro, em janeiro de 2015, e o iene ficou acima de 100 por dólar pela primeira vez desde novembro de 2013. O banco central suíço confirmou que interveio no mercado nesta sexta-feira para estabilizar o franco e que continuará atuando se necessário. O presidente do banco central dinamarquês, Lars Rohde, disse que sua instituição fará "o que for necessário" para defender a correlação entre a coroa e o euro.

Quanto ao Federal Reserve, a instabilidade nos mercados justificou sua decisão de evitar o aumento das taxas de juros neste mês. Os futuros sobre índices de ações estão entre os que caíram na sexta-feira e o dólar se valorizou em relação a todas as principais moedas, com exceção do iene.

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