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Voracidade por títulos corporativos dos EUA esbarra em balanços

Tracy Alloway

(Bloomberg) -- No cardápio cada vez mais curto de investimentos que geram rendimento, os títulos emitidos por empresas americanas com os balanços patrimoniais mais sólidos formam o bolo do qual todo mundo quer uma fatia.

Segundo relatório escrito recentemente por estrategistas do Bank of America Merrill Lynch, a dívida corporativa americana de alta qualidade "é a única jogada do pedaço" - proporcionando uma mistura de tamanho, rendimento e boa classificação de risco.

"Para investidores globais do mercado amplo de títulos de alta qualidade, no momento só existe um mercado que oferece rendimento e tamanho - especificamente, o mercado de títulos corporativos dos EUA de alta qualidade", escreveram os estrategistas liderados por Hans Mikkelsen. "Em outras palavras, os investidores globais voltados para alta qualidade, que podem comprar papéis soberanos, supranacionais, de agências, títulos hipotecários e corporativos foram forçados a se concentrar nos títulos corporativos de alta qualidade dos EUA e a comprimir os spreads de crédito."

Dados mostram que investidores estrangeiros famintos por rendimento - particularmente no Japão e na Europa - vêm comprando vorazmente ativos americanos. Analistas do Deutsche Bank AG relataram "forte" demanda por dívidas de empresas dos EUA em maio (último mês de dados disponíveis para a instituição), sendo que os estrangeiros realizaram compras líquidas de US$ 12,7 bilhões em títulos corporativos americanos naquele mês.

Empresas interessadas em levantar capital para aproveitar a demanda irrestrita por dívidas corporativas podem servir o que os investidores desejam, mas precisam levar em conta que emissões demais enfraquecem seus balanços patrimoniais. O aumento do endividamento é aceito enquanto os investidores estiverem dispostos a relevar esse aspecto, mas ninguém sabe se essa dinâmica se sustentará diante da desaceleração da economia global, do encolhimento dos lucros nos EUA e do nervosismo no mercado acionário.

"Os investidores de ações eventualmente conseguem o que querem e o que eles querem é que as empresas parem de aumentar a alavancagem", escreveram os estrategistas do BofAML. O movimento começou a aparecer no primeiro trimestre, com a diminuição dos volumes totais de recompra de ações e fusões e aquisições. A expectativa dos estrategistas é que essa tendência continue.

"Eventualmente - analisando os diversos acordos de fusão e aquisição que foram anunciados, mas ainda não concluídos -, isso leva a menor alavancagem nos balanços patrimoniais de empresas de alta qualidade."

A notícia talvez seja boa para quem se preocupa com a piora dos fundamentos de crédito corporativo, mas é má notícia para os investidores que, mais do que nunca, precisam de novas emissões para compensar a escassez de rendimento nos mercados. É questionável a continuidade da venda de novas dívidas diante da oposição cada vez maior ao aumento da alavancagem das empresas.

Afinal, ninguém faz um bolo de rendimentos deliciosos sem quebrar alguns ovos.

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