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Argentina atrai empresas globais de energia em leilão de US$ 2 bi

Vanessa Dezem e Pablo Gonzalez

(Bloomberg) -- O crescente mercado de energia renovável da Argentina está atraindo algumas das maiores empresas de energia do mundo.

O país que está fora dos mercados de capitais desde o calote de US$ 95 bilhões em 2001 e assustou os investidores dois anos atrás ao interromper os pagamentos dos títulos estrangeiros, agora é visto como um dos principais destinos de empresas como Enel, ABO Wind, General Electric e Engie.

A grande mudança veio com uma nova lei desenhada para estimular o desenvolvimento da energia renovável e com um leilão planejado para outubro, por meio do qual o governo espera atrair US$ 2 bilhões em investimentos. Com a melhora da economia argentina e valendo-se das condições naturais favoráveis à energia limpa no país, as empresas estão correndo para conseguir aprovações do governo, organizar acordos de financiamento e de suprimento para novos projetos de energia que querem levar ao leilão.

"Os investidores estão olhando para o país como um típico caso de risco-retorno", disse Antonio Cammisecra, chefe de desenvolvimento de negócios da Enel Green Power, a unidade de energia renovável da maior empresa de energia da Itália. "O país está mostrando sinais de estabilidade econômica e este é o momento certo para investir em recursos renováveis".

As regras finais do leilão foram divulgadas nesta semana. O prazo para a entrega de propostas é 5 de setembro e os vencedores serão anunciados em 12 de outubro.

Mais de 60 por cento da capacidade de geração de energia da Argentina vem de combustíveis fósseis. O presidente Mauricio Macri, que assumiu em dezembro, está intensificando os esforços para diversificar a matriz energética do país e combater as mudanças climáticas. Uma de suas primeiras medidas é uma lei que exige que 8 por cento da energia utilizada por consumidores industriais venha de fontes renováveis em 2017, e 20 por cento em 2025.

No leilão, as empresas apresentarão oferta para fornecer 600 megawatts de energia eólica, quase o triplo dos 215 megawatts em operação na Argentina atualmente, mais 300 megawatts de energia solar, contra quase nada hoje, e 100 megawatts em usinas de biomassa, hidrelétricas e de biogás.

As empresas já possuem mais de 2 gigawatts em projetos prontos para participar do leilão, segundo a empresa de comercialização de energia argentina Saesa. As companhias disputarão contratos de venda de energia que durarão de 20 a 30 anos e os projetos vencedores deverão entrar em operação até dois anos após o leilão. O governo espera que as empresas ofereçam tarifas de US$ 40 a US$ 100 o megawatt-hora, preços menores que os pagos pelos consumidores de energia hoje, de mais de US$ 100.

"Estamos vendo um grande interesse de empresas nacionais e internacionais", disse o subsecretário de energias renováveis, Sebastián Kind, por e-mail.

"A hora da Argentina chegou", disse Renato Santos, chefe de energia eólica da GE. "A GE decidiu que este é o momento certo de ampliar seus negócios no país". A GE está se associando com desenvolvedores eólicos para apresentar uma oferta no leilão.

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