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Editorial: Europa falha novamente em realmente testar bancos

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(Bloomberg) -- Em sua última rodada de testes de estresse dos bancos, a Europa perdeu mais uma chance de fazer o acerto de contas honesto de que seu sistema financeiro necessita. Se as autoridades do continente quiserem fortalecer suas economias problemáticas, essa charada precisa acabar.

O exercício, o primeiro desde 2014, deveria assegurar que os bancos da Europa são capazes de suportar uma crise severa. Isto significa testar sua principal fraqueza: a escassez de reserva de capital para absorção de prejuízos. A falta de capital tem dificultado os empréstimos, prejudicado os esforços de estímulos do Banco Central Europeu e deixado todo o sistema financeiro vulnerável.

O problema é que os testes, em efeito, continuam fazendo vista grossa. Eles precisam fazê-lo: não há forma clara de remediar nenhum grande déficit que eles possam encontrar. As regras bancárias da Europa -- graças, em grande parte, à relutância da Alemanha em repartir os riscos -- limitam a capacidade dos órgãos reguladores de recapitalizarem os bancos, particularmente com recursos dos contribuintes da zona do euro. A reprovação de muitos bancos, portanto, poderia gerar pânico.

O pior cenário dos novos testes imaginou uma recessão prolongada e o colapso das commodities, mas não incluiu calotes de dívidas soberanas. Os testes ignoraram os bancos gregos e portugueses, que ficaram entre os mais fracos da última vez. Os novos testes sequer disseram quais bancos foram aprovados ou não -- ou quanto capital eles necessitariam para cumprir seus (indevidamente permissivos) mínimos regulatórios.

No entanto, os resultados anunciados na semana passada não são completamente inúteis. O problemático Banca Monte dei Paschi di Siena queimou todo seu capital no cenário adverso -- confirmando que a União Europeia precisa dar alguma margem de manobra para que o governo italiano reforce seus bancos.

Um dos maiores bancos da Europa -- o Deutsche Bank, da Alemanha -- ficou entre os de pior desempenho. Seu capital caiu para menos de 3 euros para cada 100 euros em ativos no cenário de estresse, proporção insuficiente para manter a confiança do mercado em uma crise.

Talvez a vulnerabilidade de seu campeão nacional ajude a Alemanha a ver que a recapitalização deve ser uma prioridade. Isto significa permitir a falência de algumas instituições, estabelecer padrões mais elevados para as restantes e prometer que elas receberão o capital que necessitam -- dos recursos públicos da zona do euro, se tudo mais fracassar. Se essa mensagem sair em alto e bom som, a confiança vai melhorar, talvez permitindo que os bancos levantem capital principalmente de investidores privados (como fizeram os bancos dos EUA em 2009).

Há quatro anos as autoridades europeias imaginaram uma união bancária na qual teriam responsabilidade conjunta pela saúde do sistema financeiro da zona do euro. Eles se distanciaram dessa promessa, mas a ideia continua sendo essencial. Eles precisam tentar novamente e a melhor maneira de começar é com um honesto acerto de contas para o problema.

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