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Análise: Samsung toma 1º lugar em corrida de eletrônicos para carro

Tim Culpan

(Bloomberg) -- A Samsung está aquecendo o motor para aquisições, prevendo o boom iminente de equipamentos eletrônicos de automóveis.

Mais conhecida por ser a fabricante dos smartphones Galaxy e de televisores de tela plana, a empresa sul-coreana negocia a compra de parte ou todas as unidades da fabricante de autopeças Magneti Marelli da Fiat Chrysler, reporta a Bloomberg News, citando pessoas familiarizadas com o assunto.

Entre os negócios que a empresa vislumbra estão iluminação, entretenimento de bordo e telemática, uma palavra chique para os itens eletrônicos e os sistemas usados no transporte. O valor seria de US$ 3 bilhões ou mais, segundo a reportagem.

O negócio pode fazer sentido para ambas as partes.

A Samsung, que tenta diversificar suas fontes de receitas, já fez uma incursão no setor automotivo com uma participação de 3 bilhões de yuans (US$ 453 milhões) na fabricante de carros e baterias chinesa BYD, que conta com o apoio de Warren Buffett. A empresa sul-coreana pretende expandir sua presença no setor e a Magneti Marelli é um bom lugar para começar.

A companhia italiana, que tem a equipe de Fórmula 1 Scuderia Ferrari entre seus sócios, é um catálogo virtual de todos os produtos com os quais a Samsung pode querer se envolver. Seus sistemas de entretenimento se integrariam facilmente aos produtos de semicondutores, telas e eletrônicos da empresa sul-coreana.

Mais estrategicamente, é a unidade de telemática da empresa que pode dar à Samsung uma presença forte em um setor com ciclos de produtos mais longos e clientes mais leais do que o acelerado setor de aparelhos eletrônicos.

Diferentemente dos smartphones e das TVs, os eletrônicos automotivos são um negócio onde é difícil entrar. Como a segurança é uma das principais preocupações e as empresas podem levar anos para desenvolver e lançar o produto final, quando uma fabricante de componentes é escolhida o mais provável é que as companhias se mantenham juntas na cadeia de abastecimento por muitos anos.

Até mesmo o negócio mais monótono das luzes automotivas, que são conectadas ao restante dos sistemas de computador de um carro, poderia proporcionar uma fonte de receita de longo prazo mais estável do que o cíclico negócio de telas, com seus altos e baixos, que é dominado pela Samsung.

A Fiat Chrysler, enquanto isso, está focada na melhora de sua estrutura de capital e está tentando de tudo para reduzir suas dívidas, segundo Joel Levington, analista de crédito sênior da Bloomberg Intelligence. Qualquer chance de conseguir algum dinheiro para continuar cortando dívidas certamente terá as boas-vindas dos investidores em ações e em dívidas.

Como a notícia da negociação Samsung-Fiat Chrysler agora é pública, outras empresas podem iniciar a caça por negócios.

A maior rival da Samsung na fabricação de eletrônicos, a Foxconn, já informou que quer se destacar no setor de eletrônicos automotivos e o presidente do conselho da empresa, Terry Gou, mostrou agrado ao falar do chefe da Tesla, Elon Musk, aos investidores e à imprensa.

Além disso, ele tornou público seu desdém tanto pela Samsung quanto pela BYD, de forma que esse negócio com a Magneti Marelli o deixaria particularmente aborrecido.

Por isso dizemos: cavalheiros, liguem seus motores.

Essa coluna não reflete necessariamente a opinião da Bloomberg LP e de seus proprietários.

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