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Nicho financeiro de Londres torna-se palco de batalha do Brexit

Will Hadfield e John Detrixhe

(Bloomberg) -- Uma função obscura de "back-office" para aumentar a estabilidade das transações tornou-se peça importante na batalha na indústria de serviços financeiros de Londres após o Brexit.

Há sinais de que o Reino Unido está preparando suas forças de defesa após autoridades da França e Alemanha apontarem a mira para o setor. A atividade de compensação, que forma uma barreira de proteção contra calotes, entrou em franca expansão desde a crise financeira de 2008.

A decisão do eleitorado britânico de sair da União Europeia pode colocar em risco milhares de empregos nas câmaras de compensação e nos bancos integrantes das mesmas, caso outros países cumpram a ameaça de repatriar a compensação das transações em euros depois do Brexit.

Compensação e acesso dos bancos à UE são pilares de sustentação dos 2 milhões de empregos do setor financeiro do Reino Unido, de acordo com Michael Sholem, do escritório de advocacia Davis Polk & Wardwell.

"É provável uma erosão gradual ao longo de 10 a 15 anos se esses pilares forem derrubados", afirmou Sholem, responsável por assessoria sobre legislação europeia. "Questiona-se o quanto disso pode ser substituído por novos mercados."

Bancos e corretoras podem decidir ou até serem obrigados a transferir funcionários e operações para locais mais próximos de qualquer câmara de compensação que sair do distrito financeiro de Londres, abalando um dos setores mais importantes da economia britânica e sua principal fonte de impostos corporativos.

Jamie Dimon, do JPMorgan Chase & Co., e Stuart Gulliver, do HSBC Holdings Plc, estão entre os grandes nomes do setor bancário mundial que alertaram que o Brexit pode forçá-los a levar postos de trabalho para fora de Londres.

O principal grupo lobista do distrito financeiro londrino publicou um relatório em 3 de agosto definindo diretrizes de proteção para seus integrantes após o Brexit.

O grupo TheCityUK afirma no relatório que as câmaras de compensação de Londres deveriam começar a lidar com moedas de países emergentes e digitalizar mais processos, o que fortaleceria a posição das instituições que atuam na cidade.

Anos atrás, o Banco Central Europeu tentou exigir que as negociações em euros fossem compensadas na zona do euro, mas perdeu essa disputa para o Reino Unido na esfera judicial. Dias após o referendo, o presidente francês François Hollande alertou que Londres não terá permissão para continuar compensando transações em euros quando estiver fora da UE.

Trata-se de um grande negócio. As câmaras de compensação de Londres têm US$ 230 bilhões em dinheiro e títulos como garantia contra calotes por seus integrantes.

Já as câmaras de Frankfurt têm US$ 62 bilhões e as de Paris, US$ 25 bilhões. Aproximadamente 700 pessoas são funcionárias diretas das câmaras de compensação de Londres.

Para tirar de Londres a compensação das transações em euros, os outros membros da UE precisariam alterar tratados para dar ao BCE o poder necessário, de acordo com o comandante da London Stock Exchange Group Plc, Xavier Rolet.

"Não é impossível, mas eu diria que, neste momento, não há ameaça imediata deste ponto de vista", disse Rolet hoje durante uma teleconferência.

Porém, se a atividade de compensação for mesmo embora, "haverá consequências" na forma de transferência de postos de trabalho, segundo Raoul Ruparel, codiretor do instituto independente de pesquisa Open Europe.

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