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Preocupação com mercados abala credibilidade do BC dos EUA

Rich Miller

(Bloomberg) -- O Federal Reserve deixou para trás a atitude de apenas esperar que os mercados financeiros enfrentassem um momento de turbulência para então baixar os juros em resposta a essa situação, como fazia o ex-presidente da instituição Alan Greenspan.

Em vez disso, acusam os críticos, o banco central dos EUA tornou-se tão sensível ao risco de grandes oscilações dos mercados no futuro que está suspendendo seu poder agora, ao deixar repetidamente os juros inalterados.

"Eles costumavam responder, acho que excessivamente, ao que os mercados financeiros faziam", disse Willem Buiter, economista-chefe do Citigroup Inc. e ex-integrante do Banco da Inglaterra. "Agora eles não agem em resposta ao medo que têm de como o mercado pode responder às medidas deles."

No começo da semana, o responsável pelo escritório regional do Fed em Nova York, William Dudley, sugeriu que o banco central está prestando muita atenção a como suas possíveis decisões podem repercutir nos mercados de câmbio e outros. O risco dessa estratégia é o Comitê de Mercado Aberto (FOMC) perder credibilidade e ter suas políticas frustradas, afirmou o analista de investimentos Jim Bianco.

Mercados no comando

"O mercado agora acha que comanda a política monetária", disse Bianco, presidente da Bianco Research LLC em Chicago.

Durante entrevista à Bloomberg TV em 29 de julho, Buiter colocou essa ideia de outra forma: "O Fed mais do que qualquer outro banco central sério parece ser cativo dos mercados financeiros."

Representantes do Fed repetidas vezes negaram a existência de qualquer garantia implícita de que não permitirão que as bolsas caiam demais ou que são comandados pelos mercados financeiros. Eles de fato prestam atenção ao que ocorre nos mercados por causa de suas potenciais consequências sobre consumidores, empresas e a economia em geral.

"Estamos focados na economia real, na sustentação das condições econômicas - emprego abundante e estabilidade de preços - que ajudam todos os americanos", declarou a presidente do Fed, Janet Yellen, em entrevista à revista Time publicada em 13 de abril.

Ao tornar suas intenções mais explícitas, o Fed também busca alinhar seu entendimento com o dos mercados, de modo que os investidores reajam aos desdobramentos econômicos da mesma maneira que o banco central.

No final de julho, os integrantes do comitê de política monetária deixaram a taxa básica de juros inalterada pela quinta reunião seguida, após a primeira elevação em quase 10 anos em dezembro. Os contratos futuros implicam apenas 39% de chance de elevação dos juros nos EUA até o fim deste ano.

As autoridades talvez estejam acompanhando de perto como os investidores podem reagir a suas decisões por acreditarem que os mercados estão mais voláteis do que no passado.

"No atual ambiente de lentidão do crescimento global, inflação baixa e política monetária já muito expansionista em diversas economias avançadas, a percepção dos investidores sobre risco e o apetite por risco podem mudar subitamente", disse Yellen durante entrevista coletiva com a imprensa após a reunião do FOMC de 14 e 15 de junho.

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