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Venezuela deve evitar calote novamente mesmo com piora da crise

Jose Enrique Arrioja

(Bloomberg) -- Mesmo com o aprofundamento do colapso econômico da Venezuela, o país tem uma boa chance de sobreviver a mais um ano sem deixar de honrar os pagamentos de seus títulos.

Esta é a conclusão de gestoras de recursos como a Aberdeen Asset Management e de bancos de Wall Street como o JPMorgan.

Em dificuldades financeiras, o país esteve sob alerta de calote nos últimos dois anos porque os preços do petróleo continuam em baixa, a economia está implodindo e a turbulência política continua piorando em meio ao esforço para substituir o presidente. Contudo, a Venezuela tem conseguido juntar dinheiro suficiente para honrar bilhões em pagamentos de dívidas, e parece que neste ano a situação não será diferente. A Petróleos de Venezuela, a endividada petroleira estatal, possui US$ 4,1 bilhões em pagamentos de dívidas por fazer até o fim do ano.

"Consideramos que eles têm recursos suficientes para pagar" dívidas equivalentes a US$ 1,4 bilhão que vencem em outubro, disse Anthony Simond, gestor de recursos da Aberdeen Asset Management, empresa com sede em Londres que administra cerca de US$ 10 bilhões em dívidas de mercados emergentes. Ele possui notas com vencimento em 2016 e 2017 emitidas pela PDVSA, como a petroleira é conhecida.

Embora reconheça que os US$ 2,7 bilhões em pagamentos para novembro serão "um pouco mais complicados", ele disse que o presidente Nicolás Maduro quer "evitar um calote a todo custo". O ministro do Petróleo, Eulogio Del Pino, que é também presidente da PDVSA, disse que a empresa está em negociações avançadas para refinanciar as dívidas que vencem nos próximos 18 meses.

O poder de Maduro é cada vez menor porque a piora da escassez de todo tipo de produto, de alimentos a remédios, intensifica a insatisfação da população. Alberto Ramos, economista do Goldman Sachs, disse em nota de 22 de julho que o país entrou em uma "depressão" com sinais de hiperinflação, mas que provavelmente efetuará todos os pagamentos de dívidas deste ano queimando reservas internacionais.

O Fundo Monetário Internacional prevê que o produto interno bruto encolherá ao inédito ritmo de 10 por cento neste ano e que a inflação excederá 700 por cento. Em 20 de julho, Alejandro Werner, diretor do departamento do Hemisfério Ocidental do FMI, disse que a Venezuela registrará o "pior desempenho do mundo em termos de crescimento e inflação".

Apesar de tudo isso, analistas do JPMorgan, liderados por Ben Ramsey, estimam que a Venezuela honrará os pagamentos de dívidas.

"Nós mantemos a visão de que a disposição de pagar é muito elevada", disseram eles, em nota de 27 de julho a clientes. "E a PDVSA não tem a intenção de desencadear um evento de crédito".

A assessoria de imprensa da PDVSA preferiu não comentar nenhuma iniciativa relacionada a dívidas em andamento na empresa, nem a percepção dos investidores a respeito da solvência da petroleira. Telefonemas e e-mails para representantes do banco central não foram respondidos.

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