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Crianças chinesas testam sala de aula de realidade virtual

David Ramli

(Bloomberg) -- Em um edifício com forma da nave estelar Enterprise, uma empresa chinesa pouco conhecida está trabalhando no futuro da educação. Enormes bancos de servidores gravam crianças na sala de aula e no recreio, monitorando toques na tela, encolhimentos de ombros e movimentos de cabeça -- acumulando um banco de dados que será usado na construção de perfis particulares de milhões de crianças.

Esta é a NetDragon Websoft Holdings, localizada em Fuzhou, na China. A fabricante de videogames de combate é uma improvável candidata a revolucionar a aprendizagem com professores de realidade virtual em headsets. Ela faz parte do grupo crescente de empresas, formado por nomes como IBM e Lenovo, que está estudando maneiras de usar tecnologias como a realidade virtual para captar a atenção de crianças instáveis (e talvez algum dia ganhar dinheiro com esses dados fazendo propagandas direcionadas a elas).

A China -- onde os pais são famosos por tentar qualquer coisa para dar alguma vantagem aos filhos e tendem a ser menos obcecados com a privacidade -- pode ser o lugar ideal para testar a sala de aula de realidade virtual do futuro. Do modo em que foi concebida, ninguém vai poder dormir na última fila. As lições mudam quando o software percebe que o estudante está se distraindo, ao identificar uma pequena elevação da cabeça. Aulas chatas podem se tornar animadas instantaneamente com provas surpresa. Até o gênero do professor pode mudar para se adequar ao público, por exemplo, optando por um educador virtual do sexo masculino em culturas onde geralmente os professores são homens.

"Este é o próximo grande acontecimento e vem sendo elaborado há algum tempo", disse Jan-Martin Lowendahl, vice-presidente de pesquisa da Gartner. "Se existe um lugar onde isso poderia funcionar são países como a China, a Coreia, esse tipo de lugar".

A noção de ensino adaptativo, baseado em computadores, vem circulando há mais de uma década. Corretamente implementado, tem o potencial de alterar os fundamentos da aprendizagem. Educadores que recorrem a seus instintos e a indícios visuais poderiam ser substituídos, ou aperfeiçoados, por avatares digitais baseados em algoritmos que, por sua vez, podem ser replicados em todo o planeta. Os defensores dessa tecnologia argumentam que os benefícios de usar máquinas para analisar as crianças e aprender a se adaptar aos pontos fracos delas vão pesar mais do que as questões de privacidade porque em breve não existirá um número suficiente de professores humanos.

É claro que o crescente envolvimento corporativo não é altruísta -- é possível ganhar dinheiro com isso e, em alguns aspectos, as empresas chinesas estão assumindo a liderança na comercialização. A NetDragon quer ser uma das primeiras a colocar em prática essa tecnologia em grande escala. No ano passado, ela pagou 77 milhões de libras (US$ 100 milhões) pela Promethean World, fornecedora britânica de educação online, e agora atende 2,2 milhões de professores com 40 milhões de alunos. A empresa está fazendo testes de campo das aulas de realidade virtual, fornecendo headsets e tablets em escolas chinesas e incentivando os professores a experimentarem grades curriculares personalizadas com seus alunos.

Os pesquisadores monitoram a atividade dos alunos no ambiente de realidade virtual e, para complementar, os tablets têm câmeras que podem ser usadas para monitorar visualmente os estudantes.

"Não queremos monitorá-los apenas quando estão em sala de aula, mas também quando estão em movimento ou quando estão em casa, para ter uma visão de 360 graus da maneira em que as crianças aprendem", disse Simon Leung, vice-presidente do conselho da NetDragon e ex-diretor da Microsoft, acrescentando que a tecnologia poderá ficar pronta em 2017. "Quando pudermos monitorar o que elas gostam e o que não gostam, por exemplo, vai ser possível recomendar serviços específicos para elas, propagandas muito direcionadas a elas".

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