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Análise: Boa notícia sobre crédito na China não é o que parece

Christopher Langner

(Bloomberg) -- Ultimamente, Pequim está em uma missão para provar que os pessimistas estão errados. Na quarta-feira, o órgão regulador bancário do país se somou ao coro, divulgando dados que mostraram que a razão de empréstimos inadimplantes dos bancos comerciais se manteve estável no segundo trimestre pela primeira vez em quase três anos.

Contudo, há algumas ressalvas que os otimistas em relação à China podem querer avaliar antes de comemorar.

Uma boa parte da estabilização pode ser atribuída ao efeito de base. Qualquer taxa de empréstimos inadimplentes pode cair ou permanecer constante se o montante global de empréstimos crescer, que foi o que aconteceu. Segundo o comunicado da Comissão Reguladora Bancária da China (CBRC, na sigla em inglês), os ativos totais para os bancos comerciais aumentaram 15,7 por cento.

Se você expande os empréstimos nessa proporção, mas a porção de créditos duvidosos permanece estável, isso significa que há cerca de 15 por cento mais dívidas com incumprimento na China, embora o índice geral pareça um pouco melhor. Descontando o efeito de base, a criação de empréstimos inadimplentes continuará subindo de forma estável.

Na verdade, o número real de empréstimos inadimplentes cresceu 3,2 por cento no segundo trimestre, para 1,44 trilhão de yuans (US$ 217 bilhões). Colocando de outra forma, a quantia de empréstimos inadimplentes na China no fim de junho foi maior que o PIB total do Vietnã em 2015.

Além disso, existem as dívidas com menção especial, uma categoria que abrange todas as coisas que parecem que deixarão de ser pagas, mas que ainda não deixaram.

Esse número subiu 3,9 por cento, para 3,32 trilhões de yuans. Somando tudo isso, havia 4,76 trilhões de yuans em créditos duvidosos nos bancos da China, o equivalente ao produto interno bruto da Malásia e da Tailândia combinados.

Isto seguindo a premissa de que os números divulgados pela CBRC refletem com precisão a situação das dívidas inadimplentes na China. Muitos analistas afirmam que não é caso.

Independente disso, uma coisa é clara: os empréstimos inadimplentes não estão se estabilizando, simplesmente parecem melhores em uma economia que mais uma vez pisou fundo no acelerador do crédito. Se o crédito desacelerar, as coisas começarão a parecer ruins novamente.

Esta coluna não reflete necessariamente a opinião da Bloomberg LP e de seus proprietários.

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