Fusões e aquisições voltam a dar sinal de vida com impeachment

Francisco Marcelino e Jonathan Levin

(Bloomberg) -- O mercado de fusões e aquisições finalmente parece caminhar para uma retomada no Brasil após uma prolongada hibernação, dizem empresas de private equity e bancos de investimentos que atuam no país.

"Tem uma melhoria da confiança que é visível e essa melhoria na confiança mexe na disposição das pessoas de levar adiante operações dessa natureza", diz Amaury Bier, presidente da Gávea Investimentos e ex-secretário-executivo do Ministério da Fazenda, em entrevista por telefone, de São Paulo. "Tem esse sentimento de que o Brasil vai provavelmente melhorar, que já atingiu o fundo do poço e que começa a melhorar".

O entusiasmo renovado está em todos os cantos: os índices de confiança dos empresários e consumidores se recuperaram; os preços das ações têm alta de 66 por cento no ano em dólar; e a moeda apresenta o melhor desempenho do mundo. Um dado ainda mais significativo é que investir no Brasil ficou mais previsível, com a volatilidade implícita em um mês do real -- um indicador das oscilações de preço esperadas -- caindo de uma taxa anualizada de 28 por cento em abril para 15,8 por cento atualmente.

Uma das peças finais do quebra-cabeças pode estar mais perto de ser encaixada. Na madrugada de 9 para 10 de agosto, o Senado votou pela aceitação do processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff, o que pode removê-la permanentemente do cargo e fortalecer Michel Temer, que busca superar um impasse no Congresso para frear o déficit orçamentário. Temer, o presidente interino, ainda não conseguiu implantar nenhuma proposta de grande porte em meio à preocupação de que cortes de gastos e reformas impopulares possam fragilizar o apoio à sua administração no Senado antes da votação final do impeachment.

No segmento de fusões e aquisições há sinais de que as operações podem estar saindo do fundo do poço. No primeiro trimestre de 2016, essas transações totalizaram US$ 3,59 bilhões, o pior trimestre em mais de uma década, mas a atividade melhorou, subindo para US$ 8,18 bilhões até o momento no terceiro trimestre, segundo dados compilados pela Bloomberg.

As fusões e aquisições que envolvem compra por investidor estrangeiro de companhias nacionais subiram para US$ 4,71 bilhões neste trimestre. O número pode ser tímido em relação aos anos de boom do Brasil, quando a média era de US$ 9 bilhões por trimestre, mas é nitidamente melhor que o do terceiro trimestre de 2015.

Luiz Felipe Alves, sócio-fundador e presidente da boutique de banco de investimento Cypress Associates, disse que os estrangeiros estão demonstrando muito mais interesse no Brasil atualmente, em parte porque há poucas opções melhores de investimento. Dos oito negócios que sua empresa está perto de concluir, sete envolvem estrangeiros. Além disso, não param de chegar mandatos de assessoria, disse ele.

"Está voltando por algumas coisas. Primeiro, uma maior clareza da solução dos problemas políticos", disse Alves. "Segundo, pela necessidade de alocação de capital. O mundo continua com muito capital represado".

Alves citou as taxas de juros baixas na Europa e nos EUA, especialmente em relação à inflação, e a incerteza em outros mercados emergentes importantes.

"A percepção de risco em relação ao Brasil lá fora está caindo e fazendo o investidor voltar para o país", disse Ricardo Amatto, sócio da empresa de busca de talentos 2Get, com sede em São Paulo, que viu uma recuperação da demanda por CEOs e diretores financeiros em um momento em que os fundos de private equity fazem mais aquisições. "À medida que o cenário começou a ficar menos turvo após o afastamento de Dilma, o nível de incerteza também caiu".

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