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O estranho caso do setor chileno que todos processam - e ganham

Eduardo Thomson

(Bloomberg) -- Os planos de saúde particulares do Chile têm um problema peculiar. Sempre que tentam elevar seus preços, milhares de clientes entram com processos na Justiça para impedir o aumento -- e ganham. Essa incapacidade de aumentar as tarifas está prejudicando os resultados e empurrando o setor, que era um dos mais lucrativos do Chile cinco anos atrás, para a beira do colapso.

Os clientes entraram com mais de 130.000 pedidos de liminar contra as empresas no ano passado e os juízes, além de terem decidido a favor dos clientes em todos os casos, também obrigaram os planos a pagarem os honorários advocatícios. Isso custou às empresas, conhecidas como Isapres (Instituciones de Salud Previsional), US$ 34 milhões em 2015, o dobro da soma do ano anterior.

Ainda mais estranho é que o governo não esteja fazendo muito para ajudar um setor que oferece cobertura de saúde para quase um quinto da população, deixando essas empresas no limbo enquanto esperam por um conjunto mais amplo de reformas que provavelmente não será aprovado tão cedo. As ações das empresas que têm Isapres, como Inversiones La Construcción e Empresas Banmédica, tiveram um desempenho inferior em meio a uma alta nos mercados latino-americanos.

"Há sérias dúvidas de que o setor consiga se recuperar", disse Andrés Cereceda, analista de ações do setor de saúde da Credicorp Capital. "Os custos estão aumentando e os próximos cinco anos serão complicados".

Indignação popular

O sistema das Isapres foi criado durante a ditadura de Augusto Pinochet, quando o Estado privatizou programas sociais, inclusive grande parte da saúde, da educação e da previdência. Esses setores agora estão sendo pressionados, porque o rancor em relação a empresas que ganham dinheiro com serviços básicos está crescendo. O governo já proibiu lucros em grande parte do setor educativo e anunciou uma série de reformas no sistema privado de aposentadorias na terça-feira após um protesto realizado por dezenas de milhares de pessoas em Santiago no mês passado.

No entanto, com sua popularidade no nível mais baixo já registrado, um déficit fiscal crescente e outras reformas atoladas em discussões ásperas no Congresso, é pouco provável que o governo faça alguma coisa logo para mudar a situação das Isapres, disse Victoria Beaumont, CEO da Altura Management, empresa de consultoria com sede em Santiago que assessora os planos de saúde.

Enquanto isso, o órgão regulador da saúde alertou que dois provedores, Isapre Masvida e Isapre Consalud, mal estão cumprindo alguns de seus requisitos de solvência. O escritório do órgão não respondeu a telefonemas e e-mails com pedidos de comentários. A Consalud havia dito anteriormente que a piora dos indicadores se devia ao crescimento mais acelerado dos custos jurídicos devido às liminares e a Masvida enfatizou que cumpre os requisitos e que os indicadores melhorarão quando seu acionista majoritário, Empresas Masvida, incorporar um novo parceiro estratégico. Nenhuma das empresas respondeu a e-mails com pedidos de comentário para esta reportagem.

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