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Com desemprego em baixa nos EUA, trabalhadores querem seleções mais rápidas

Sho Chandra

(Bloomberg) -- Este é mais um sinal de que o mercado de trabalho dos EUA está aquecido. Os trabalhadores já não estão dispostos a esperar muito tempo enquanto as empresas decidem se vão contratá-los.

Quase um em cada quatro funcionários perde o interesse em uma vaga se não recebe retorno de um possível empregador uma semana depois da entrevista, segundo uma pesquisa da agência de recrutamento Robert Half. Com duas semanas de espera, a fatia sobe para 46%. Além disso, 39% das pessoas consultadas disseram que começam a buscar outras vagas quando se deparam com processos de contratação demorados.

"Os trabalhadores têm opções e querem velocidade", disse John Reed, diretor-executivo sênior da divisão de recrutamento em Tecnologia da Robert Half, a maior agência de recrutamento especializado do mundo. "O mercado está tão forte que os candidatos podem ter muita influência no ritmo do processo de entrevistas".

Isso vale, em especial, para candidatos com habilidades muito procuradas, nas chamadas profissões administrativas e em setores como tecnologia, disse ele. A pesquisa, com mais de 1.000 profissionais dos EUA, foi realizada em junho.

Como o estudo foi o primeiro desse tipo realizado pela Robert Half, não há comparações em relação a mudanças nas expectativas dos trabalhadores. Contudo, Reed disse que notou, há cerca de dois anos, que as melhores empresas começaram a se mexer mais rapidamente porque perceberam que os bons candidatos estavam menos dispostos a ser pacientes, e nos últimos 12 meses "cada vez mais empresas estão reduzindo seus tempos de contratação".

Outros relatórios ressaltam a forte procura por mão de obra. Há muitas vagas abertas para escolher e o otimismo em relação à perspectiva está sustentando a confiança dos trabalhadores para abandonarem seus trabalhos em busca de melhores negócios, segundo dados de junho do Departamento do Trabalho, divulgados na quarta-feira. Os pedidos de seguro-desemprego estão próximos do menor patamar em quatro décadas.

A onda incansável de contratações dos últimos anos reduziu a taxa de desemprego perto do menor nível em oito anos, e a mão de obra inativa está começando a desaparecer, tornando mais difícil a tarefa das empresas de encontrar os trabalhadores de que necessitam. O preenchimento de vagas abertas também é um problema para as pequenas empresas, reporta a Federação Nacional de Negócios Independentes (NFIB, na sigla em inglês). Os salários estão subindo lentamente.

Os economistas, é claro, preveem que o ritmo de contratações esfriará no fim deste ano porque a economia está atingindo o nível de pleno emprego. Mas, por enquanto, os trabalhadores estão dando as cartas, pelo menos no que se refere a receber respostas rápidas.

A maioria dos participantes da pesquisa da Robert Half --39%-- escolheu sete a 14 dias quando indagados sobre o que é um processo "longo demais", abarcando da primeira entrevista até o momento de receber a oferta de emprego. As empresas precisam melhorar sua abordagem ou correrão o risco de perder boas contratações. Isso não significa correr de forma descuidada para tomar uma decisão que, afinal de contas, é importante, mas esforçar-se para liberar a oferta verbal rapidamente ajuda e a comunicação frequente evitará que o candidato desista, disse Reed.

"Garanta esses candidatos antes que a concorrência o faça", disse ele.

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