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Conexão reforçaria Hong Kong como porta de entrada da China

Eduard Gismatullin e Kana Nishizawa

(Bloomberg) -- Charles Li, CEO da Hong Kong Exchanges & Clearing, disse acreditar que a conexão com Shenzhen ajudará a cimentar o status de sua cidade como porta de entrada para a base multitrilionária de investidores da China.

Em entrevista à Bloomberg Television, Li disse esperar um aumento no fluxo de dinheiro vindo da China continental depois que Hong Kong e os órgãos reguladores chineses anunciaram, na terça-feira, planos de conectar a bolsa da cidade à Bolsa de Valores de Shenzhen. A iniciativa dobraria os limites diários para aquisições de ações a partir da China continental e eliminaria as cotas totais, que foram introduzidas com o lançamento da primeira conexão, com a Bolsa de Xangai, no fim de 2014.

A conexão Shenzhen, adiada há tempos, faz parte dos esforços da China para abrir seus mercados de capitais e aumentar sua influência global. O país tem cerca de US$ 20 trilhões depositados em bancos e cerca de metade será investido em ações e títulos nas próximas duas décadas, disse Li.

"A importância da conexão a longo prazo vem do southbound", disse Li a Rishaad Salamat e Haidi Lun. "O trabalho de Hong Kong é trazer o mundo para Hong Kong, assim a China pode investir no mundo a partir deste ponto final em Hong Kong".

Os investidores chineses compraram um total líquido de cerca de 200 bilhões de yuans (US$ 30 bilhões) em ações em Hong Kong, usando mais de 80 por cento da cota agregada, desde a criação da conexão Xangai, em novembro de 2014, segundo dados compilados pela Bloomberg. Os limites totais southbound (investimentos chineses em Hong Kong) e northbound (investimentos de Hong Kong na China) serão cancelados, segundo os anúncios de ontem.

"O principal que vemos neste ano é o fluxo maior de dinheiro da China continental para o mercado de Hong Kong", disse Erwin Sanft, chefe de estratégia para a China da Macquarie Group em Hong Kong. O anúncio da conexão Shenzhen "mostra que o medo geral de saídas de capital está muito menor" na China.

Li procura ampliar a atratividade das ações da cidade depois que a média de 30 dias dos valores das ações negociadas em Hong Kong atingiu a maior baixa em quase dois anos em junho. Apesar de o índice acionário de referência de Hong Kong ter se recuperado e entrado novamente em um bull market, após o declínio ocorrido na esteira do declínio de 2015 da China, seu desempenho de longo prazo é ruim em relação ao de seus pares globais. O Hang Seng Index subiu 13 por cento nos últimos cinco anos, ficando atrás do avanço de 37 por cento do MSCI All-Country World Index.

A nova conexão ajudará a cidade a atrair empresas estrangeiras para listarem ações em Hong Kong, disse Li, com o objetivo de atrair dinheiro do investidor da China continental. Sete empresas internacionais tiveram ofertas públicas iniciais na bolsa neste ano, captando cerca de US$ 1,3 bilhão, mostram dados da Bloomberg.

"Esperamos com o tempo ter mais listagens internacionais, produtos internacionais, e assim esses produtos se tornariam muito mais interessantes para os investidores no sentido southbound", disse Li. "E nós seremos o destino principal".

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