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Ex-líder da Opep vê boas condições para acordo sobre produção

Grant Smith e Francine Lacqua

(Bloomberg) -- A Opep está a caminho de fechar um acordo de congelamento da produção com os outros produtores de petróleo em Argel no mês que vem porque seus principais integrantes já estão bombeando a toda velocidade, disse o ex-presidente da organização.

Embora uma iniciativa similar tenha fracassado em abril, existe a possibilidade de fechamento de um acordo agora que a Arábia Saudita, o Irã e o Iraque, além da Rússia, que não faz parte da Opep, estão utilizando sua capacidade máxima de produção ou estão perto disso, disse Chakib Khelil em entrevista à Bloomberg Television. Khelil presidiu a Opep em 2008, na última vez em que a organização implementou um limite à produção, anunciado na Argélia, em dezembro daquele ano. Em outra entrevista, o ex-ministro de Energia do Catar, Abdullah bin Hamad al-Attiyah, se mostrou convencido da necessidade de fechamento de um acordo.

"Estão colocadas todas as condições para um acordo", disse Khelil, de Washington. "Este provavelmente é o momento porque a maioria dos grandes países, como Rússia, Irã, Iraque e Arábia Saudita, está chegando ao seu nível máximo de produção. Eles ganharam toda a participação de mercado que podiam".

Dúvidas de analistas

Embora os preços do petróleo tenham avançado desde que a Opep anunciou que realizaria negociações informais na capital argelina no mês que vem, analistas de empresas como UBS e Commerzbank têm dúvidas sobre o fechamento de algum acordo de congelamento e os comentários feitos pela Arábia Saudita e pela Nigéria têm mantido as expectativas baixas. As negociações fracassaram em abril porque a Arábia Saudita insistiu que o Irã limitasse sua produção, condição que o país rejeitou porque estava promovendo a ampliação de suas exportações, antes limitadas por sanções.

Como as produtoras estão bombeando quase a todo vapor, o impacto de qualquer acordo para evitar novos aumentos seria essencialmente "psicológico", disse Khelil. No entanto, isso traria um benefício ao mercado, segundo o argelino, que também foi ministro de Energia do país entre 1999 e 2010. O excesso de oferta de petróleo global já está diminuindo e os mercados provavelmente atingirão o "equilíbrio completo" no ano que vem, disse Khelil.

Processo lento

Al-Attiyah, do Catar, disse por telefone que o reequilíbrio avança lentamente e que é necessário que os produtores globais atuem juntos para acelerar o processo. Ele disse que é "realmente difícil dizer" se haverá algum acordo em Argel.

"A Opep e os outros produtores precisam fazer alguma coisa, porque levará muito tempo para que o mercado se reequilibre por conta própria", disse Al-Attiyah. "Mesmo em relação ao ano que vem, temos que ser cautelosos e não esperar um reequilíbrio rápido do mercado".

Contudo, ambos os ex-ministros concordaram que o congelamento, mesmo que apenas simbólico, reanimaria o sentimento de otimismo entre investidores e traders de petróleo.

"O acordo de congelamento não terá um enorme reflexo sobre os fundamentos, mas ajudará a melhorar os sentimentos do mercado", disse Al-Attiyah. "No fim, qualquer passo dado é melhor do que não fazer nada".

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