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Revisão de meta de inflação é obstáculo para Fed

Craig Torres

(Bloomberg) -- É possível que um banco central consiga manter a confiança da população após anunciar uma meta, descumpri-la por mais de quatro anos e depois dizer que quer alterá-la?

O presidente do Federal Reserve de São Francisco, John Williams, pediu que seus colegas começassem a pensar em maneiras de se distanciarem do limite de zero das taxas de juros. Uma estratégia: elevar a meta de inflação do Fed dos 2 por cento atuais para, digamos, 3 por cento.

O pedido de Williams para uma nova forma de pensar chega em momento oportuno. Bancos centrais de todo o mundo começam a opinar que a taxa de juros que mantém a oferta e a demanda de uma economia em equilíbrio é mais baixa atualmente.

Como resultado, os ciclos dos juros atingirão o pico em níveis mais baixos, dando aos bancos centrais menos espaço para cortes antes de que atinjam nível zero.

Isso limita sua capacidade de resgatar uma economia da recessão e do aumento do desemprego sem recorrer a ferramentas não convencionais que vêm com muitos problemas próprios.

"O ataque mais direto", escreveu Williams em um ensaio no qual incluiu outras opções, "seria que os bancos centrais buscassem uma meta de inflação um pouco mais alta".

Parece fácil, mas os aspectos políticos e práticos do aumento da meta de inflação são desafiadores, por três motivos:

Congresso

O mandato em atingir a estabilidade de preços vem dos parlamentares e seria impensável para o Fed buscar uma meta de inflação mais elevada sem o conselho e o consentimento do Congresso.

"Garantir o consentimento seria um obstáculo muito alto", disse Sarah Binder, membro sênior da Brookings Institution, coautora de um livro sobre a relação entre o Fed e o Congresso.

Janet Yellen

É subestimado o fato de a atual presidente do Fed não ser muito amigável em relação a inflação, disse Charles Plosser, ex-presidente do Fed da Filadélfia, em entrevista. "Minha opinião pessoal é que Janet não gosta de inflação", disse Plosser.

Credibilidade

A inflação é um jogo de confiança entre o público e o banco central. A julgar pelos indicadores de expectativas de inflação monitorados pelo Fed de Nova York, o público tem a confiança de que o banco central não permitirá a disparada da inflação, mesmo mantendo as taxas de juros em níveis muito baixos por quase uma década.

A força dessa confiança na capacidade do banco central de elevar a inflação de forma ponderada é outra questão. As expectativas de inflação para daqui a três anos estão em queda.

Conclusão

A mensagem de Williams é que atualmente os bancos centrais enfrentam novos desafios e as estratégias precisam evoluir. Contudo, "não acho que o Fed será o primeiro banco central a fazer isso", disse Joseph Gagnon, membro sênior do Instituto Peterson para a Economia Internacional e ex-membro da Divisão de Assuntos Monetários do banco central dos EUA.

Os bancos centrais de economias menores, como a Nova Zelândia, foram pioneiros em termos de metas de inflação e provavelmente serão os primeiros a fazer testes com revisões de metas.

O Banco do Canadá está pesquisando os benefícios de uma meta de inflação mais alta antes da renovação de um acordo da política com o governo, que deverá ocorrer até o fim do ano.

O presidente do banco central canadense, Stephen Poloz, disse que o nível para grandes mudanças é alto porque o sistema tem funcionado bem.

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