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Análise: Como o Federal Reserve faz mais com menos?

Mark Whitehouse

(Bloomberg) -- Apesar de toda a inquietação de que a produtividade nos EUA não está aumentando tão rapidamente quanto deveria, pelo menos em um lugar ela parece estar se saindo bastante bem: o Federal Reserve.

O Fed tem um papel muito mais importante na economia e no sistema financeiro do que há uma década, mas consegue desempenhá-lo com menos funcionários. Na verdade, o emprego no banco central dos EUA vem diminuindo desde a década de 1990 -- tanto nominalmente quanto em relação às instituições financeiras que a instituição atende e supervisiona.

Até julho de 2016, o Fed tinha cerca de 0,7 funcionários por cada 100 pessoas empregadas no setor de intermediação de créditos (que inclui bancos e outros credores de varejo), segundo o Escritório de Estatísticas de Trabalho dos EUA. Essa razão é mais baixa do que em 2007, antes que uma crise financeira severa provocasse uma expansão drástica das responsabilidades do Fed.

Então, o Fed está realmente fazendo muito mais com menos? Sim e não. Grande parte da mudança no emprego tem a ver com algo que muitos membros da geração Y nem sequer reconheceriam: o cheque. Ainda no começo da década de 2000, uma grande parte dos funcionários do Fed -- literalmente milhares de pessoas -- estava envolvida no recolhimento e no processamento de todos os cheques que pessoas e empresas utilizavam para pagar todo tipo de produtos, das compras do supermercado à mão de obra.

Graças à internet e aos pagamentos eletrônicos, agora o Fed pode processar mais pagamentos com menos pessoas. Até 2012 (os dados mais recentes disponíveis), os bancos regionais do Federal Reserve tinham apenas 840 funcionários que prestavam serviços tarifados a instituições financeiras (como cheques e outros serviços de pagamento e compensação), frente a mais de 5.400 em 2001. Com menos cheques físicos para processar, essas pessoas podem movimentar muito mais dinheiro: o montante diário processado por funcionário era de cerca de US$ 4,4 bilhões em 2012, em comparação com menos de meio bilhão em 2001.

Ao mesmo tempo, o emprego em outros departamentos cresceu como resposta à crise financeira de 2008 e à Lei Dodd-Frank de 2010, que dá ao Fed responsabilidades como a realização de testes de estresse dos bancos e a supervisão de todas as instituições financeiras com importância sistêmica. No entanto, os números não são suficientemente grandes para compensar o declínio no processamento de pagamentos. Em 2012, o Conselho do Federal Reserve e os bancos regionais empregavam 4.108 pessoas nos departamentos de supervisão e regulamentação, frente a 2.915 em 2006.

Com certeza, o Fed poderia fazer mais para incrementar o benefício que fornece por empregado. Uma regulamentação sensata de capitais, por exemplo, poderia tornar o sistema mais resistente e reduzir a necessidade de que os supervisores realizem uma microadministração dos bancos. Contudo, é instrutivo reconhecer que em termos de pessoal, o fim dos cheques é mais importante do que a Lei Dodd-Frank. No mínimo, ele ajuda a colocar as coisas em perspectiva.

Esta coluna não reflete necessariamente a opinião do conselho editorial nem da Bloomberg LP e de seus proprietários.

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