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Aéreas chinesas descobrem o capitalismo. Aproveite

David Fickling

(Bloomberg) -- Nunca foi tão bom viajar de avião na China.

Há alguns anos o mercado estava dividido entre as três gigantes estatais tradicionais -- Air China, China Southern e China Eastern. Como resultado, os preços das passagens eram convenientemente altos.

Essa época está acabando. Embora todas as companhias aéreas tenham tido que reduzir as tarifas nos últimos anos devido à redução do preço do combustível, para as empresas chinesas essa queda foi particularmente violenta. As três gigantes vêm enfrentando a concorrência crescente da endinheirada Hainan Airlines e de duas operadoras de baixo custo relativamente novas, a Spring Airlines e a Juneyao.

O rendimento da receita por passageiro por quilômetro -- um indicador da receita de uma aérea por transportar um cliente por um quilômetro -- caiu para 0,445 yuan (6,7 centavos de dólar) na Hainan Airlines no período de seis meses concluído em junho, informou a empresa na segunda-feira, nos resultados relativos ao primeiro semestre, e na China Southern o valor ficou em 0,49 yuan. É pouco mais do que o 0,438 yuan que a Juneyao, que se considera mais exclusiva que as duas operadoras de baixo custo da China, cobrava nesse mesmo período.

O ambiente de preços mais duro não poupou as gigantes estatais. As ações da China Southern chegaram a cair 8,3 por cento em Hong Kong na terça-feira depois que a empresa informou uma queda de 10 por cento nos lucros do primeiro semestre, a maior queda registrada em único dia pela ação em quase oito meses. A China Eastern recuou 9,3 por cento em relação ao ponto onde estava no começo do ano e a Air China caiu 7,2 por cento. As ações das três companhias negociadas em Xangai caíram mais de 12 por cento neste ano.

A China Southern está até mesmo considerando um hedge para as compras de combustível, colocando em perigo uma estratégia arriscada, mas eficiente, que ajudou a fazer com que sua conta de querosene ficasse menor que a de concorrentes internacionais nos últimos anos.

Para quem estava acostumado a ver o setor chinês como um simulacro do capitalismo, e não como capitalismo de fato, a evidência de que o aumento da concorrência está melhorando o bem-estar do consumidor às custas dos grandes nomes é um tanto surpreendente -- e um contraste acentuado com o setor dos EUA, que se tornou muito mais estável e rentável desde que falências e fusões o reduziram a algo mais parecido com um oligopólio.

Mas não se empolgue demais. As empresas regionais e as de baixo custo, como Spring, Juneyao e Hainan Airlines, dependem de sua capacidade de obter direitos de tráfego nos principais aeroportos -- e as empresas maiores ainda levam vantagem nesse quesito, com 65 por cento da capacidade do aeroporto de Pequim atualmente, de acordo com a consultoria CAPA Centre for Aviation. A aviação é um dos setores mais estritamente regulados que existem, o que dá muita margem para usar o poder do Estado para obter resultados.

Como as refinarias de petróleo independentes do país estão aprendendo, o governo da China tem o costume de esmagar empresas privadas que se tornam uma ameaça para as empresas estatais. Isso deveria fazer com que os investidores tenham cautela ao apostar contra as três gigantes.

Esta coluna não reflete necessariamente a opinião da Bloomberg LP e de seus proprietários.

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