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Morgan Stanley duvida de alta de juros nos EUA em setembro

Kevin Buckland e Lilian Karunungan

(Bloomberg) -- Conhecido pelo otimismo em relação à valorização dos títulos do Tesouro americano, o Morgan Stanley afirma que o banco central dos EUA (Federal Reserve) não vai subir a taxa básica de juros no mês que vem. Segundo a instituição de Wall Street, nada que foi dito durante o encontro anual do Fed em Jackson Hole, no Estado de Wyoming, mudou essa perspectiva.

O Morgan recomenda que os investidores continuem comprando dívida pública americana com prazo de cinco anos, apesar de os papéis apresentaram o pior desempenho mensal desde fevereiro do ano passado. A presidente do Fed, Janet Yellen, afirmou na última sexta-feira que as justificativas para a alta de juros se fortaleceram. Com isso, as chances implícitas nas cotações de mercado de elevação de juros na reunião do Fed em 20 e 21 de setembro saltaram de 24 por cento no início da semana passada para 42 por cento. O vice-presidente do Fed, Stanley Fischer, disse que o relatório do mercado de trabalho, que sai nesta próxima sexta-feira, será fundamental. Para o JPMorgan Chase & Co., os dados de criação de empregos podem decepcionar.

"Ouvimos pouco em Jackson Hole que pudesse mudar nossa visão sobre o mercado de títulos do Tesouro americano", escreveram os estrategistas do Morgan Stanley Matthew Hornbach e Guneet Dhingra em nota a clientes. "Embora a criação de vagas em agosto apresente um risco óbvio, continuamos acreditando que as probabilidades implícitas no mercado de uma elevação de juros em setembro terminarão em zero, não 100."

Os contratos futuros para a taxa básica de juros dos EUA indicam 36 por cento de chance de alta pelo Fed na reunião de setembro, segundo dados compilados pela Bloomberg. Essa probabilidade caiu para zero no fim de junho, após o eleitorado do Reino Unido votar pela saída da União Europeia. O cálculo presume que a taxa básica efetiva vai ficar em 0,625 por cento na média após a próxima elevação de juros pela autoridade monetária.

O mercado ficou dividido pelos comentários de integrantes do alto escalão do Fed durante e logo antes do encontro anual da instituição na semana passada em Jackson Hole, promovido pelo escritório regional do Fed de Kansas City. A Pacific Investment Management Co. também concluiu que Yellen não falou nada de mais, enquanto Goldman Sachs Group Inc. e Mitsubishi UFJ Securities Holdings Co. consideraram a fala dela contundente o bastante para subir a probabilidade de uma decisão no mês que vem.

A diferença entre os rendimentos dos títulos do Tesouro com vencimento em cinco e 30 anos se estreitou para o menor nível desde fevereiro de 2015, chegando a 103 pontos-base nesta segunda-feira. Dívidas de prazo mais curto costumam ser mais sensíveis à perspectiva para a política monetária do que instrumentos mais longos.

Entre as estimativas compiladas pela Bloomberg, a do Morgan Stanley é a mais otimista em termos de valorização dos títulos, com previsão de queda do rendimento do papel com prazo de 10 anos para 1 por cento no fim de março do ano que vem. A estimativa mediana do mercado aponta alta do rendimento de 1,59 por cento atualmente para 1,8 por cento. O rendimento do título que é referência para o mercado chegou ao menor nível histórico de 1,32 por cento em 6 de julho.

No mercado de trabalho, o resultado de criação de empregos em agosto ficou abaixo da previsão mediana dos economistas em todos os últimos cinco anos, de acordo com relatório de analistas do JPMorgan liderados por Jay Barry em Nova York. A instituição recomenda que os clientes mantenham suas aplicações em títulos do Tesouro de cinco anos antes da divulgação dos dados de emprego nesta próxima sexta-feira.

O Goldman Sachs elevou a chamada "chance subjetiva" de acréscimo dos juros pelo Fed no mês que vem de 30 por cento para 40 por cento por causa dos comentários de Yellen, segundo relatório divulgado na última sexta-feira pela equipe econômica liderada por Jan Hatzius.

Para a MUFG Securities Americas, a probabilidade de subida de juros nos EUA em setembro é de 49,5 por cento. "Yellen não deixou de entregar", escreveu em relatório o estrategista de juros da instituição para os EUA, John Herrmann, de Nova York. "Alertamos os clientes para não serem complacentes."

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