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Pimco faz alerta sobre títulos da Ásia após salto nas vendas

Denise Wee

(Bloomberg) -- A Pacific Investment Management Co. está cautelosa em relação aos riscos dos crescentes níveis de endividamento na região Ásia-Pacífico, após as vendas de títulos em dólares baterem recorde.

O total de emissões subiu 66 por cento no terceiro trimestre em relação ao mesmo período do ano passado, para US$ 152 bilhões, segundo dados compilados pela Bloomberg.

Os tomadores de empréstimos correram para garantir custos de financiamento mais baixos após a queda de 72 pontos-base no prêmio médio neste ano, para 206, próximo do menor nível desde 2007, segundo índices do Bank of America Merrill Lynch. A Zhuzhou City Construction Development Group, o veículo de financiamento de um governo local, inicia reuniões com investidores na terça-feira em Cingapura, Hong Kong e Londres, disse uma pessoa familiarizada com o assunto.

Os investidores vêm injetando dinheiro em ativos de maior risco apesar dos sinais de alerta. Eles buscam rendimento diante dos juros básicos próximos de zero nos EUA, na Europa e no Japão. A razão entre a dívida líquida mediana das empresas de capital aberto da região Ásia-Pacífico e os lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização subiu para 3,1 vezes, vindo de 1,9 há cinco anos, de acordo com dados compilados pela Bloomberg.

O serviço da dívida está se tornando mais difícil porque o crescimento econômico da região está esfriando neste ano. Segundo as projeções de analistas, a expansão será a mais fraca desde 2009.

"O crédito está aumentando na Ásia, mas o crescimento não está aumentando" na mesma velocidade, disse Roland Mieth, gerente de carteiras de mercados emergentes da Pimco em Cingapura. "Não esperamos desaceleração da alavancagem ou do crescimento das dívidas na Ásia."

Na China, a política monetária tem proporcionado relativa sustentação. Contudo, o vice-presidente do banco central, Yi Gang, disse no mês passado que o objetivo de curto prazo do país precisa ser a redução da alavancagem. A CLSA estima que a dívida total poderá atingir 321 por cento do Produto Interno Bruto em 2020, contra 261 por cento no primeiro semestre.

Em setembro, o BNP Paribas alertou que, na busca por rendimento, os investidores não estão prestando suficiente atenção aos riscos de calote no mercado de títulos da Ásia denominados em dólares, ressaltando as emissões vinculadas a governos regionais da China.

"Os veículos de financiamento dos governos locais chineses podem ver os fundamentos piorarem se continuarem emitindo tantos títulos muito baratos no exterior e isso provocará reflexos sobre o risco de calote", disse Charles Chang, responsável por estratégia de crédito para a Ásia e especialista setorial do banco em Hong Kong. "Isso pode demorar algum tempo para acontecer, mas o risco está aumentando a cada minuto.

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