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Transformação urbana da Índia inclui casas gratuitas para 20.000

Pooja Thakur e Anto Antony

(Bloomberg) -- A família de Shabbir Arsiwala mora há 100 anos em uma zona nobre de Mumbai, em um apartamento barulhento de dois quartos que, segundo ele, "tem cheiro ruim e é claustrofóbico", onde um balde colocado ao lado de uma parede com a pintura descascada contém a goteira e uma lona azul de plástico protege-os da chuva. Em breve, o ex-proprietário de uma vidraçaria, de 69 anos, e sua família receberão gratuitamente um lar novo e maior em um dos 17 edifícios residenciais reluzentes do maior projeto de reordenamento urbano da história da Índia.

"Estou contente porque receberemos casas novas", disse Arsiwala, que se mudará com a esposa, o filho, a nora e dois netos a uma moradia temporária próxima enquanto seu edifício é demolido e reconstruído em quatro ou cinco anos. "Quero viver o restante de minha vida em paz."

A área, conhecida como Bhendi Bazaar, vai realojar 20.000 pessoas atualmente amontoadas em 250 edifícios decadentes em um encrave muçulmano na região centro-sul de Mumbai, ao norte da estação ferroviária construída pelos britânicos que era conhecida como Victoria Terminus. Com um custo estimado de 40 bilhões de rúpias (US$ 600 milhões), o projeto está atraindo propostas de empresas locais e internacionais com experiência em reordenamento urbano. E está sendo utilizado como exemplo na Índia, que pretende transformar moradias decadentes e centenárias em habitações modernas.

Projeta-se que o reordenamento vai gerar uma atividade econômica de até US$ 4,8 bilhões e emprego para dezenas de milhares de pessoas durante os próximos dez anos, de acordo com Anand Laxmeshwar, diretor da consultoria fiscal, de fusões e de risco BMR Advisors.

'Formador de tendências'

"Trata-se de um projeto formador de tendências para todas as cidades da Índia", disse Sambhaji Zende, presidente da Autoridade de Desenvolvimento de Área e Moradia de Maharastra, uma organização do governo estadual. "Quanto a Mumbai, veremos outros incorporadores privados também fazendo isso, embora possivelmente em uma escala não tão grande quanto a de Bhendi Bazaar."

A transformação do bairro majoritariamente muçulmano -- na Índia governada pelo primeiro-ministro Narendra Modi e em um estado controlado por seu partido nacionalista hindu Bharatiya Janata Party -- também está sendo elogiada como um exemplo de cooperação comunitária em uma cidade onde irromperam tensões entre muçulmanos e nacionalistas hindus. O governo estadual do BJP montou a chamada sala de guerra para desarticular os obstáculos que se interpõem aos projetos fundamentais de infraestrutura, como o Bhendi Bazaar.

As obras de construção já começaram com a cooperação quase unânime dos moradores -- cerca de 70 edifícios já foram demolidos e mais de 1.700 famílias, aproximadamente metade do total, já se mudaram para residências temporárias, gratuitas e completamente mobiliadas, e aguardam a finalização das primeiras torres, prevista para 2018.

Um dos principais motivos da aceitação é que o projeto de reordenamento está sendo realizado como um empreendimento filantrópico e religioso: pelo Saifee Burhani Upliftment Trust, uma instituição de caridade montada em 2009 pelo falecido líder espiritual da comunidade muçulmana Dawoodi Bohra, da região. O trust, embora ainda esteja no processo de escolher um incorporador para finalizar o complexo, iniciou as obras de construção em janeiro.

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