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S&P: Crescimento do crédito pesa sobre nota soberana da China

Narae Kim

(Bloomberg) -- A China recebeu mais um cartão amarelo.

Em relatório divulgado na semana passada, a S&P Global Ratings alertou que a China está sob risco de perder o status AA se não controlar seu crescimento econômico impulsionado por dívidas.

"O crescimento do crédito na China continua superando o crescimento da renda e muitos novos créditos parecem estar financiando investimentos públicos", escreveram os analistas Kim Eng Tan e Xin Liu da S&P. "Consequentemente, vemos uma diminuição gradual do suporte aos ratings soberanos da China."

Um rebaixamento representaria mais um revés para a segunda maior economia do mundo, cuja perspectiva foi reduzida pela agência de classificação de estável para negativa em março. Na ocasião, a S&P citou o reequilíbrio econômico mais lento que o esperado do país e o aumento dos riscos financeiros.

No último relatório, Tan e Liu apontaram que a "dependência [da China] em relação ao investimento público para impulsionar o crescimento econômico é insustentável e que a fraqueza do crédito" é uma tendência com poucos sinais de abrandamento no futuro próximo.

A alta volatilidade dos mercados de ações do país e das taxas de câmbio desde o ano passado indicam que o governo chinês manteve o avanço da economia por meio da injeção de dinheiro emprestado em projetos públicos. Isto gerou um fosso entre o investimento público e o privado neste ano.

"Sem esse impulso, é improvável que a economia tivesse sido capaz de continuar crescendo acima dos 6,5% no primeiro semestre de 2016", acrescentaram os analistas.

Apesar de os custos de financiamento baixos e estáveis terem de certa forma contido o problema, o ritmo da expansão do crédito está restringindo cada vez mais as ações do banco central em Pequim, disseram eles.

O crescimento rápido da dívida reduz as taxas de economia em um país que ostenta uma tendência extraordinariamente alta de guardar dinheiro.

Quando sua população cada vez mais velha é levada em consideração, a razão entre dívida e renda sobe ainda mais rapidamente, segundo os analistas. Isso diminuirá ainda mais a proteção oferecida pela enorme quantia economizada domesticamente.

"Se a China continuar dependendo de investimentos impulsionados pelo crédito como principal fonte do crescimento econômico, a confiança nas perspectivas de crescimento chinês poderá diminuir", disseram Tan e Liu. "Isso poderia desencadear outro aumento das saídas de recursos das poupanças domésticas que aumentaria o risco para a estabilidade da taxa de juros."

Para evitar o rebaixamento de sua classificação soberana os analistas sugerem que a China contenha rapidamente a geração de crédito ligada ao crescimento da renda.

"Quanto mais o governo demorar para deixar o crescimento do crédito em linha com o crescimento da renda, maior a pressão sobre as classificações soberanas", concluíram.

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