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BC fala grosso, mas não apaga otimismo com juros

Josué Leonel

  • Getty Images/iStockphoto

O tom duro do Banco Central no comunicado da decisão de cortar a Selic, advertindo para a necessidade de uma queda mais consistente da inflação de serviços e progressos nas reformas fiscais, gerou forte reação no mercado. A maioria dos contratos de juros futuros sobe, com a diminuição da aposta de que o BC iria acelerar o ritmo de corte da Selic em novembro para 0,5 ponto percentual. Os contratos mais longos, porém, caem junto com o dólar, mostrando que o otimismo do mercado não se apagou.

Para alguns analistas, o próprio fato de o BC ter mostrado cautela ajuda a manter o processo de melhora das expectativas. Juros maiores no curto prazo poderiam levar a uma inflação menor e, consequentemente, juros potencialmente menores, no longo prazo. O economista Marcelo Carvalho, do BNP Paribas, não reduziu sua previsão - mais otimista do que a da média do mercado - de que a Selic vai cair 5,25 pontos percentuais até o início de 2018.

Embora uma taxa de 9% pareça baixa perto dos atuais 14%, ela ainda será elevada considerando-se que a inflação em 12 meses em 2018 estará rodando perto da meta de 4,5%, diz Carvalho. A expectativa de juros menores também contempla a efetivação dos planos do governo em relação às reformas, com a aprovação da PEC do teto de gastos este ano e das mudanças na Previdência em 2017. O dólar, que pode cair a R$ 3 ou menos se as reformas forem aprovadas no próximo ano, também deve ajudar o país a ter inflação e juros menores, diz Carvalho.

A hipótese de aceleração do corte da Selic para 0,5 ponto percentual em novembro, embora um pouco questionada pelo comunicado do BC, ainda não pode ser totalmente descartada, diz Rodrigo Melo, economista-chefe da Icatu Vanguarda. Tudo vai depender de a inflação de serviços, que preocupa muito o BC, ceder, diz o economista. Ele lembra que a inflação de serviços vinha recuando até fevereiro, mas desde então tem mostrado resistência.

O comunicado do Copom teve vários pontos vistos como evidências de que o BC poderia estar menos otimista do que o mercado em relação às projeções de queda dos juros. Em um dos trechos, o BC disse que o cumprimento da meta de inflação de 4,5% é "compatível com uma flexibilização moderada e gradual das condições monetárias". Ou seja, o cenário, hoje, não seria compatível com um corte maior do que 0,25 ponto percentual e nem com um ciclo total expressivo, como o mercado vinha prevendo.

Porém, em outro trecho, o BC diz que a "magnitude da flexibilização monetária e uma possível intensificação do seu ritmo dependerão de evolução favorável de fatores". Ou seja, o BC não fechou a porta a cortes maiores dos juros, apenas condicionou seus passos e alertou que a queda já registrada pela inflação e os primeiros passos da agenda fiscal do governo ainda são insuficientes para assegurar a convergência da inflação ao centro da meta.

Antes do próximo Copom, em 30 de novembro, o mercado ainda terá oportunidades para checar o comportamento de alguns fatores relevantes para o BC. Além do IPCA-15 de outubro, que será divulgado nesta sexta-feira, o Copom do próximo mês ainda terá disponíveis os dados do IPCA fechado de outubro e o IPCA-15 de novembro. Novas votações da PEC do teto no Congresso e o anúncio da reforma da Previdência também são eventos possíveis de ocorrer antes da próxima decisão do BC.

Melo, do Icatu, para quem o tom cauteloso do Copom foi "acertadíssimo", considera que o BC iniciou nesta quarta-feira um ciclo de cortes que pode checar a 3 pontos percentuais. "Ser mais comedido agora aumenta a chance de ter juro menor no futuro".

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