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Estímulo de US$ 13 tri dos grandes BCs terá efeito duradouro

Craig Torres, Enda Curran e Jeff Black

(Bloomberg) -- Imagine que os bancos centrais deram a cada pessoa do planeta Terra US$ 1.700 em estímulos.

Não é ficção científica monetária. É a realidade dos balanços patrimoniais de apenas três instituições: Federal Reserve, Banco Central Europeu e Banco do Japão. O total de US$ 12,7 trilhões que essas entidades têm em títulos públicos, empréstimos e outros ativos - acumulados por meio de decisões para combater a crise financeira inicialmente e, depois, para combater taxas de crescimento e inflação persistentemente fracas - equivale a aproximadamente 17 por cento do produto global anual e ainda está aumentando.

Ao comprar e manter dívida pública em carteira para reduzir os custos de captação e devolver o dinheiro ganho em cima desses instrumentos aos respectivos Tesouros, os comandantes desses três bancos centrais (Janet Yellen, Mario Draghi e Haruhiko Kuroda), estão de fato colaborando com suas contrapartes políticas para prolongar o apoio no futuro distante.

"Nunca o presidente do banco central pegará na mão do ministro da Fazenda e dirá, 'preste atenção, nunca iremos vender'", disse Richard Barwell, economista do BNP Paribas Investment Partners, em Londres. "Mas se o mercado inferir que o balanço patrimonial permanecerá grande no futuro previsível, isso equivale a distribuir dinheiro de forma astuta."

Há muito tempo os bancos centrais são detentores de ativos fora de sua alçada. A novidade é o abandono velado de um antigo pressuposto da política monetária: a não ser em tempos de colapso financeiro ou guerra, os balanços patrimoniais devem ficar enxutos e as taxas de juros devem ser a principal ferramenta.

Diante de endividamento recorde, crescimento morno, inflação tímida e juros baixos, os defensores dos balanços expandidos dos bancos centrais argumentam que essa situação pode dar o empurrão fiscal necessário.

O ganhador do Prêmio Nobel Joseph Stiglitz, professor da Universidade Columbia, afirma que os próprios bancos centrais "pediram mais política fiscal" e, portanto, deveriam reforçar essa entrega.

Os críticos alertam que os balanços patrimoniais inchados só estão inflando bolhas nos preços dos ativos e jogando areia nas engrenagens de um sistema bancário com dificuldades para manter a rentabilidade em um mundo de rendimentos baixos. O bilionário gestor de renda fixa Bill Gross, da Janus Capital Group, afirma que os mercados financeiros se tornaram um "cassino Las Vegas/Macau/Monte Carlo", ao apostar que o crédito ilimitado fornecido pelos bancos centrais pode reativar a economia global. "Isso não pode terminar bem", escreveu Gross em sua perspectiva de investimento referente a outubro.

No entanto, os que defendem o uso dos balanços patrimoniais para manter baixos os custos de captação estão no comando agora e não há mudança em vista. Aparentemente, há pouca chance de os ativos mantidos por Fed, BCE e Banco do Japão diminuírem significativamente nesta década.

O Banco Popular da China - banco central com o maior balanço patrimonial do mundo, chegando a US$ 5 trilhões - é exceção. A instituição não lançou mão de um programa de estímulo quantitativo direto e seus ativos totais diminuíram cerca de 10 por cento desde outubro de 2014, com o gasto das reservas para conter a depreciação cambial.

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