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Até no empreendedorismo existem restrições de gênero, diz Apec

Sterling Wong

(Bloomberg) -- Para as mulheres que enfrentam desvantagens para subir na hierarquia corporativa o empreendedorismo é uma possibilidade de explorarem o próprio potencial. Mas, mesmo assim, as mulheres ainda enfrentam restrições relacionadas ao gênero quando começam um negócio, de acordo com um estudo realizado pela Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec).

Leis que restringem o acesso das mulheres a financiamentos são um dos principais obstáculos para as proprietárias de empresas de pequeno e médio porte, de acordo com o estudo.

"A legislação restritiva sobre herança é um bom exemplo desse tipo de barreira. Na prática, o efeito é que essas leis impedem as mulheres de usarem terrenos como garantia quando solicitam empréstimos", disse Carlos Kuriyama, analista sênior da unidade de políticas de apoio da Apec e um dos autores do estudo. "Em algumas economias, as mulheres não podem solicitar créditos sem a autorização dos maridos."

"Por isso, as proprietárias de pequenas empresas tendem a recorrer a instituições não-bancárias, como organizações de microfinanças, para conseguir capital", disse Kuriyama. "Com essa visão sobre as dificuldades de financiamento, a Apec pode colocar em evidência as leis que restringem a igualdade de acesso ao capital na esperança de incentivar mudanças."

Outro problema que as empreendedoras enfrentam são as regras culturais e sociais devido às quais as mulheres têm menos tempo para se dedicarem aos negócios porque precisam exercer tarefas domésticas, como cuidar dos filhos.

A existência de instituições formais que cuidem das crianças e o acesso a elas abririam a possibilidade de as mulheres passarem mais tempo em trabalhos remunerados, inclusive em empresas próprias, de acordo com o estudo.

Os governos precisam se envolver para resolver a desigualdade de gênero, primeiramente proporcionando creches e educação inicial a preços acessíveis, de acordo com Huani Zhu, pesquisadora da unidade de políticas de apoio da Apec que também é autora do estudo.

"Ficou claro que nas economias em que as normas sociais estipulam papéis menos ativos economicamente para as mulheres, os órgãos governamentais pertinentes que intervêm na igualdade de gênero têm um papel importante", disse Zhu.

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