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Corte na produção da Opep não reduz sozinho excesso de petróleo

Grant Smith

(Bloomberg) -- A Opep pode até desafiar o ceticismo do mercado e implementar os cortes máximos de produção propostos, mas a medida não será suficiente para reduzir o oceano de petróleo excedente que já está sendo extraído do solo.

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) busca reduzir os inchados estoques internacionais de petróleo com o primeiro corte de produção em oito anos, segundo o secretário-geral da entidade, Mohammed Barkindo. Mas os próprios dados do grupo mostram que a redução máxima considerada pouco reduziria o estoque recorde no ano que vem. Por isso, para acabar com o excedente, é fundamental garantir a ajuda de concorrentes -- principalmente da Rússia.

A oferta global superou a demanda por três anos consecutivos, gerando o acúmulo de um excedente de estoque de petróleo capaz de encher 160 navios superpetroleiros. A redução da produção até o limite inferior da faixa, adotada no mês passado, impediria uma expansão maior, mas limitaria o excesso existente em apenas 11 por cento no ano que vem, segundo dados da Opep. Se a organização não fechar nenhum acordo com a Rússia, existe risco de outro colapso dos preços, segundo o Commerzbank.

"Será que a faixa de produção proposta realmente reduziria os enormes estoques globais?", disse Tamas Varga, analista da PVM Oil Associates em Londres. "Os sinais não são encorajadores. Com base nos dados atuais disponíveis e nos precedentes é improvável que vejamos uma melhora do equilíbrio entre oferta e demanda no ano que vem."

A Opep fechou acordo em 28 de setembro, em Argel, para reduzir a produção a uma faixa entre 32,5 milhões e 33 milhões de barris por dia e para determinar quanto cada membro deve reduzir em sua próxima reunião, em 30 de novembro. O acordo ajudou a elevar os preços do petróleo ao nível mais alto em 15 meses no início do mês, acima de US$ 50 o barril, mas o valor caiu na sequência devido a dúvidas quanto à possibilidade de o grupo cumprir sua promessa.

Se reduzisse sua produção para 32,5 milhões de barris por dia -- um corte de 900.000 barris por dia em relação aos níveis de setembro --, a Opep estaria bombeando pouco menos que a quantidade necessária para atender a demanda em 2017, mostra o relatório mensal do grupo de 12 de outubro. Os estoques se reduziriam como resultado da medida, mas apenas em 36,5 milhões de barris no decorrer do ano, impacto insignificante em um excedente de estoque que o grupo estimou, em agosto, em 322 milhões de barris acima da média de cinco anos.

Se a Opep não tomar uma atitude para reduzir os estoques no ano que vem, as projeções de preço do Société Générale provavelmente precisarão ser revisadas para baixo, disse o chefe de pesquisa para o mercado de petróleo do banco, Mike Wittner, em nota enviada por e-mail. Segundo a previsão atual do banco, nos três primeiros trimestres de 2017 o Brent ficará em média de US$ 55 o barril e o West Texas Intermediate, de US$ 53,50.

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