Ricos encontram país para fugir dos horrores do mundo

Emma O'Brien

  • Reprodução/Bar Ilan University

(Bloomberg) -- Quando o financista Michael Nock, que trabalha em Hong Kong, quis um lugar para fugir após a crise financeira global de 2008, ele olhou além dos refúgios tradicionais dos ricos, em um país no extremo do mundo, onde o número de vacas é o dobro de pessoas.

Nock, fundador da empresa de hedge fund Doric Capital, comprou um retiro a 9.280 quilômetros de distância, na pitoresca cidade neozelandesa de Queenstown. Em sete anos, as ameaças de terrorismo na Europa e a incerteza política em vários países, do Reino Unido aos EUA, ajudaram a transformar o país no Pacífico Sul - a um dia de viagem em avião de Nova York ou Londres - em uma guarida popular para mega ricos.

O isolamento é considerado há tempos o calcanhar de Aquiles da Nova Zelândia. Contudo, esse caráter remoto está se transformando em vantagem, já que que muitos ricos, do precursor dos hedge funds Julian Robertson e o titã russo do aço Alexander Abramov até o diretor de Hollywood James Cameron, construíram esconderijos multimilionários no campo da Nova Zelândia.

Reprodução
Michael Nock comprou retiro na Nova Zelândia após atentatos de 11 de setembro de 2001

"Aquilo que sempre prejudicava a Nova Zelândia - a tirania da distância - é exatamente o que vira sua fortaleza à medida que o mundo se torna mais incerto", disse Nock, 60, em entrevista por telefone de Los Angeles durante uma recente viagem de negócios.

Estabilidade

Com o dobro do tamanho da Inglaterra, mas com menos de um décimo da sua população, a Nova Zelândia se sai bem em pesquisas internacionais sobre locais desejáveis para morar, entre as 10 melhores para democracia, falta de corrupção, paz e satisfação.

Com uma economia de 250 bilhões de dólares neozelandeses (US$ 180 bilhões) dominada pela agricultura e pelo turismo, na semana passada o país superou Cingapura como melhor país do mundo para fazer negócios e foi classificado em segundo lugar como melhor local de moradia para expatriados (o primeiro lugar ficou com Cingapura) em uma pesquisa feita pela HSBC Holdings em setembro.

A Nova Zelândia recebeu 998 cadastros de cidadãos britânicos interessados em se mudar para o país no dia seguinte à votação do Brexit, frente a 109 no dia anterior, segundo dados do departamento de imigração. O número aumentou para 10.647 cadastros nos 49 dias posteriores a 23 de junho, mais que o dobro que no mesmo período do ano anterior.

Fuga

"Se o mundo for de mal a pior, eles estão no melhor lugar possível", disse David Cooper, diretor de serviços para clientes da Malcolm Pacific Immigration em Auckland, a maior agência de imigração do país. "As pessoas querem sair de onde estão e elas sentem que a Nova Zelândia é segura".

Cooper tem observado um aumento nas consultas de cidadãos americanos nos últimos meses, disse ele. A disputa presidencial cada vez mais áspera entre Donald Trump e Hillary Clinton e a recente sequência de tiroteios são mencionados como motivos para fugir.

"O país fornece um esconderijo, em caso de necessidade", disse Willy Sussman, sócio de Bell Gully, um escritório de advocacia de Auckland que trabalha com imigrantes ricos do mundo inteiro.

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