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Alphabet freia projeto de drones e veta parceria com Starbucks

Mark Bergen

(Bloomberg) -- Os novos drones do Google acabam de levantar voo no mundo real. Mas a equipe por trás da tecnologia está desacelerando, demitindo funcionários e engavetando iniciativas porque a unidade experimental se tornou o mais recente alvo do ajuste de orçamentos de sua empresa controladora, a Alphabet.

Project Wing, unidade do laboratório de pesquisa X, da Alphabet, vetou uma parceria com o gigante do café Starbucks, segundo pessoas familiarizadas com a decisão. Depois que o líder do projeto, Dave Vos, saiu em outubro, a unidade também congelou as contratações e começou a pedir a alguns funcionários que procurassem emprego em outras partes da empresa, segundo algumas dessas pessoas. Elas pediram para não serem identificadas falando sobre decisões privadas da companhia.

As decisões são parte de uma iniciativa mais ampla da Alphabet para controlar os gastos e tentar transformar projetos mais experimentais que hoje são apostas arriscadas e deficitárias em empresas de verdade. A situação dos drones é particularmente complicada. A regulamentação federal dos EUA ainda não autoriza que eles façam entregas, exceto em algumas zonas de teste. Contudo, a desaceleração da Alphabet ocorre em um momento em que outras empresas de tecnologia, como a Amazon.com, estão investindo dinheiro na entrega com drones.

"O Project Wing tem o potencial de eliminar grande parte da fricção no transporte de coisas físicas pelo mundo", disse uma porta-voz do X por e-mail. "Agora estamos desenvolvendo a próxima etapa de nossa tecnologia e, como sempre, pensamos de uma forma muito ampla em todos os possíveis casos de uso para entregas com sistemas aéreos não tripulados."

Negociações

A Alphabet estava em negociações avançadas com o Starbucks e tinha testado entregas com a operadora de cafeterias, segundo duas pessoas familiarizadas com os planos. Esses planos foram descartados, principalmente por desentendimentos porque a Alphabet queria ter acesso aos dados dos clientes, segundo um ex-funcionário do X.

Um representante do Starbucks não respondeu a um pedido de comentários na terça-feira.

Como muitas iniciativas do X, o Project Wing mudou de rumo várias vezes. No começo, sob o comando do roboticista do MIT Nicholas Roy, ele funcionava como um projeto de pesquisa acadêmica, segundo ex-funcionários. Vos, que entrou no Google em 2014, adotou uma direção diferente. O veterano do setor aeroespacial aumentou os testes simulados para os drones e implementou um novo sistema de revisão de produtos que refletia os padrões do setor de aviação, que são mais rigorosos do que os padrões de teste de software, disseram os ex-funcionários.

Depois, Vos foi embora de repente. A Alphabet não nomeou um sucessor. Agora o projeto está sob o comando de Astro Teller, chefe de longa data do X. Vos não deu retorno imediato a e-mails com pedidos de comentários na terça-feira.

Em novembro do ano passado, Vos disse em uma conferência de aviação que o Project Wing planejava ter "uma divisão comercial em atividade em 2017". Não está claro se sua saída e as mudanças de pessoal adiarão esse prazo. No setor que está surgindo, há quem demonstre ceticismo quanto à possibilidade de que alguma empresa consiga ir além dos locais de teste nos EUA em um ou dois anos, devido às restrições da Administração Federal de Aviação do país.

"Nem sequer é possível pedir uma licença para voar além do campo visual quando se trata de entregas", disse Gretchen A. West, especialista em drones do escritório de advocacia Hogan Lovells, que não está familiarizada com os planos do Project Wing. "Ninguém sabe quanto tempo isso vai levar."

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