Análise: Geração Y assiste menos esporte pela TV que seus pais

Leila Abboud

(Bloomberg) -- Os jovens estão se desinteressando pelas transmissões esportivas pela TV -- algo que assustará os executivos do setor, que esperavam que os jogos ao vivo permanecessem imunes às distrações do Netflix e dos videogames.

Emissoras europeias como Sky e Telefónica pagam bilhões por direitos esportivos e confiam no fascínio pelos jogos para atrair pessoas para seus pacotes mais caros de banda larga e televisão. A Walt Disney, dona da ESPN, e emissoras como a NBC também usam o esporte para conseguir audiência e vender anúncios.

Mas há sinais de que os esportes não provocam sobre os jovens adultos o mesmo encanto gerado nos pais deles. Os espectadores com 18 a 24 anos são os menos interessados no esporte enquanto gênero, segundo uma pesquisa com 31.000 pessoas de dez países realizada pela empresa Ampere Analysis.

A tendência foi mais acentuada nos EUA e no Reino Unido, os mercados mais avançados em termos de adoção da internet e fontes alternativas de informação e entretenimento. Nesses países, o interesse por esportes entre os jovens foi o mais divergente em relação à média do país como um todo. França e Polônia foram as duas exceções em que os jovens se mostraram mais interessados.

É importante salientar que os dados são incompletos e têm limitações. A Nielsen, que monitora e disseca os números de audiência de televisão dos EUA, afirma que ainda não estudou a associação entre jovens e esportes em profundidade e os números disponíveis publicamente para outros mercados são muito mais escassos. O estudo da Ampere se baseia em pesquisas on-line, que podem não representar a população como um todo.

Mas a desilusão entre os jovens ajuda a explicar o declínio da audiência do futebol da Premier League inglesa, algo que a Bloomberg Gadfly já analisou, e potencialmente a queda da audiência da temporada da NFL. Algumas pessoas culpam a eleição presidencial dos EUA e os jogos chatos pelos problemas da NFL -- mas dados da Nielsen mostram que a dificuldade do futebol americano para atrair espectadores mais jovens vem de muito antes, não desse ano.

Uma coisa é indiscutível: os jovens têm muito mais opções de entretenimento agora do que décadas atrás e passam menos tempo em frente à TV. Com alternativas como Snapchat e Candy Crush, eles estão desenvolvendo novos hábitos de consumo de mídia a um ritmo rápido.

A pirataria também pode ter influência. Qualquer pessoa com um mínimo de conhecimento de tecnologia e uma conexão banda larga de alta velocidade consegue encontrar transmissões ilegais da maioria dos esportes. É possível também que os jovens consumam esporte de um jeito diferente. Eles preferem ver os jogos de forma seletiva, assistindo clipes de vídeo pelo telefone ou acompanhando pelo Twitter.

Há uma última fonte de desilusão entre os jovens: as ligas esportivas em si. Nas últimas décadas, muitas decidiram vender os direitos de seus jogos a empresas de TV paga. Mas ao mesmo tempo em que recebem dinheiro extra, a Fórmula 1 e a Premier League inglesa limitaram seu público apenas às pessoas dispostas a pagar.

É revelador que os grupos etários mais leais aos esportes sejam aqueles que assistiam gratuitamente pela TV anos atrás. Como ocorre com muitos clubes na zona de rebaixamento, os espectadores dos esportes televisionados estão envelhecendo e não são substituídos no mesmo ritmo. Com isso, seus dias de glória podem ter ficado para trás.

Essa coluna não reflete necessariamente a opinião da Bloomberg LP e seus proprietários.

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