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Amazon leva a sério combate a falsificações em seu mercado

Spencer Soper

(Bloomberg) -- A primeira vez que Randy Hetrick notou que havia produtos falsificados na Amazon.com foi em 2013. Ele vendia seu TRX Training System -- um kit de cintas de suspensão para fazer exercícios -- no site desde 2008. Quando ele percebeu que havia imitações baratas de seu produto, seus funcionários começaram a vasculhar a Amazon em busca de outras imitações e passaram pelo entediante processo de denunciá-las para que fossem removidas. Mas novos impostores surgiram logo depois e por volta de 2014 "nós percebemos que aquilo era uma epidemia", disse Hetrick, que estima que as falsificações lhe causam um prejuízo de US$ 100 milhões por ano, o dobro de suas vendas anuais.

O mercado da Amazon proporciona a inventores como Hetrick uma vitrine para centenas de milhões de consumidores sem a grande despesa de montar um site e fazer propaganda na internet. Os comerciantes pagam à Amazon uma comissão sobre cada venda. Mas um produto que vende muito na Amazon estimula falsificadores a produzirem imitações ruins com materiais baratos, roubarem vendas e prejudicarem uma marca sem sofrer muitas consequências.

A Amazon sabe que esse problema está piorando, de acordo com uma fonte com conhecimento do assunto, mas durante anos a empresa silenciou sobre a proliferação de produtos falsificados. Isso decepcionou fabricantes e proprietários de marcas que arcam com o custo e a responsabilidade de policiar o site, denunciar problemas e torcer para que a Amazon tome providências.

Agora, a maior loja virtual do mundo está levando esse assunto a sério. Combater as falsificações se tornou uma de suas principais metas para 2017 e foram montadas equipes nos EUA e na Europa para trabalhar com grandes marcas para fazer um cadastro a fim de evitar imitações, de acordo com uma pessoa com conhecimento da iniciativa que não tem autorização para falar sobre o assunto e pediu anonimato. As discussões com a Major League Baseball e com a Liga Nacional de Futebol Americano (NFL, na sigla em inglês) sobre a venda de merchandising na Amazon chegou a um impasse no início do ano devido às preocupações com a falta de controle da Amazon em relação a produtos falsificados, disse a pessoa.

"A Amazon tem tolerância zero com a venda de itens falsificados em nosso site", afirmou a Amazon em um comunicado. A companhia informou que estava "perseguindo agressivamente agentes ruins". Em um comunicado, a MLB afirmou: "É nossa responsabilidade oferecer aos nossos torcedores mercados confiáveis e seguros para comprar produtos licenciados oficialmente. Considerando o crescimento desenfreado de lojas exclusivamente virtuais que comercializam mercadorias falsificadas, nossas políticas devem exigir de cada parceiro de distribuição esse mesmo nível de comprometimento". A NFL não quis comentar o assunto.

As novas equipes da Amazon vão incentivar as marcas -- inclusive as que não vendem na Amazon -- a se cadastrarem na loja virtual, disse a pessoa. Após o cadastro, a Amazon exigirá que todos os comerciantes do mercado que oferecem esses produtos comprovem que têm autorização da marca para vendê-los pela internet. A Amazon começou a testar o cadastro no início deste ano com a Nike e outras companhias. A iniciativa principal de 2017 terá como alvo milhares de grandes empresas, inclusive aquelas que relutam em vender na Amazon por causa das imitações.

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