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Análise: Poucos esperam recuperação para títulos do Tesouro americano

Brian Chappatta, Liz Capo McCormick e Anchalee Worrachate

(Bloomberg) -- Os investidores de renda fixa não parecem convencidos de que o pior já passou, mesmo após a depreciação mais violenta dos títulos do Tesouro americano em 15 anos.

Um sinal disso é que eles retiraram US$ 10,7 bilhões de fundos de títulos dos EUA nas duas semanas seguintes à vitória de Donald Trump à presidência, marcando o maior êxodo desde 2013, quando ocorreu o chamado "taper tantrum", uma reação aos sinais de que o banco central (Federal Reserve) começaria a retirar gradualmente os estímulos.

Os investidores também deram veredito misto no leilão de US$ 126 bilhões em títulos públicos após a eleição: a venda de papéis com vencimento em sete anos exigiu a maior queda de preços em mais de uma semana para atrair compradores, enquanto, no caso dos outros prazos, as instituições que negociam diretamente com o governo ficaram com uma parcela atipicamente grande dos lotes por causa da fraqueza da demanda.

É tarefa inglória tentar decretar o fim do período de alta do mercado de renda fixa, que já dura três décadas. Mesmo com a diminuição das perdas na semana passada, está se formando um consenso de que o movimento atual configura mais do que uma disparada temporária dos rendimentos.

Diferentemente do que ocorria há três anos, quando o medo de o Fed retirar abruptamente os estímulos causou a fuga dos títulos do Tesouro, agora a preocupação é com os planos fiscais de
Trump e a perspectiva de aceleração do crescimento econômico.

Um sinal de que o movimento pode ser mais arraigado desta vez é a alta de uma métrica do Fed para as expectativas de inflação, que avança mais rápido do que durante a onda de vendas de 2013.

"Nós realizamos o ajuste, nós tivemos o choque", disse David Kotok, diretor de investimentos da Cumberland Advisors, que supervisiona US$ 2,7 bilhões em Sarasota, no Estado da Flórida. "Mas se houver estímulo fiscal, um pouco mais de inflação e um pouco mais de crescimento, isso implica juros em trajetória de alta."

Após a eleição de Trump, o mercado de títulos do Tesouro americano, que movimenta US$ 13,8 trilhões, sofreu sua pior queda desde 2001. Isso alimenta temores de que um aumento persistente dos rendimentos torne mais caro o plano de gastos do presidente eleito.

As propostas dele elevariam a dívida pública em US$ 5,3 trilhões, de acordo com o Comitê para um Orçamento Federal Responsável, que não tem afiliação partidária.

Início em agosto

No entanto, a queda de preços dos títulos do Tesouro começou em agosto, indicando que o movimento vai além das promessas de Trump. Gestores de trilhões de dólares já haviam começado a ajustar suas carteiras de títulos, diante da perspectiva de inflação mais rápida e do destaque para a política fiscal.

Diante das mudanças nas expectativas para as próximas decisões do Fed, o rendimento do título com prazo de 10 anos subiu 23 pontos-base, ou 0,23 ponto percentual, em outubro e avançou cerca de 50 pontos neste mês, caminhando para o maior aumento desde 2009.

O mercado dá como certa a alta dos juros no mês que vem. Os swaps indexados do overnight sinalizam que a taxa básica de juros estará ao redor de 1,7 por cento em três anos, comparado a aproximadamente 1,1 por cento no dia da eleição.

"Estamos indo na direção de rendimentos maiores", disse Mark Grant, estrategista-chefe para renda fixa da Hilltop Securities, em Fort Lauderdale, na Flórida. "Isso não tem nada a ver com o 'taper tantrum'. A eleição de Donald Trump foi um ponto de ruptura."

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