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Citi pode levar mesa de derivativos de Londres para Frankfurt

Gavin Finch e Nicholas Comfort

(Bloomberg) -- O Citigroup estuda transferir alguns de seus operadores de derivativos de ações e juros de Londres para Frankfurt após o início do processo de saída do Reino Unido da União Europeia, segundo pessoas com conhecimento do assunto.

O banco americano já está discutindo com a autoridade financeira da Alemanha, BaFin, a obtenção das licenças necessárias, informaram as fontes, que pediram anonimato porque as conversas têm caráter privado. Os planos do Citi podem mudar, dependendo da evolução das negociações entre o governo britânico e a UE, disseram.

Os esforços do Citi mostram que os bancos deixaram de fazer alertas sobre a fuga de empregos do Reino Unido e agora estão finalizando os planos para essa migração, escolhendo destinos específicos.

O Citi espera que as mesas de negociação já estejam funcionando em toda a região antes do encerramento do período estimado de dois anos de negociações. A instituição já está conversando com o Banco Central Europeu e autoridades reguladoras em nações da UE, incluindo a Irlanda, sobre a realocação de outras operações, segundo uma das pessoas entrevistadas.

"Estamos avaliando nossas opções enquanto as negociações entre UE e Reino Unido continuam", afirmou por e-mail uma porta-voz do Citigroup, Edwina Frawley-Gangahar. "Incerteza considerável permanece sobre a natureza da eventual saída do Reino Unido da UE e, portanto, não tomamos nenhuma decisão até o momento. Londres é e continuará sendo nossa sede de EMEA e centro global para muitos de nossos negócios", escreveu a porta-voz, se referindo à sigla para a região que reúne Europa, Oriente Médio e África.

Porta-vozes da BaFin e do BCE preferiram não comentar.

Negativa da Irlanda

Executivos de instituições como Citigroup, JPMorgan Chase e Morgan Stanley declararam que vão tirar pessoal de Londres se o Reino Unido perder os chamados direitos de passaporte. O problema é maior para as firmas de Wall Street, que têm em Londres a maior parte de seus funcionários na Europa.

Segundo o instituto de pesquisas New Financial, 87% dos funcionários dos bancos de investimento dos EUA na UE trabalham no Reino Unido, que também abriga 78% da atividade de mercado de capitais do bloco.

Representantes oficiais de diversas localidades europeias, como Paris e Luxemburgo, vêm cortejando bancos de investimento com operações em Londres desde a votação pela saída da UE, em 23 de junho.

A capital financeira da Alemanha tem uma aliada na BaFin, que é uma das poucas agências reguladoras da região com experiência na supervisão de negócios complexos de derivativos. Não é o caso de Dublin, frequentemente citada como destino provável para os bancos americanos por causa do idioma e dos laços culturais.

A autoridade reguladora do mercado financeiro da Irlanda deixou claro que não ficaria à vontade em receber operações de derivativos no país, disse uma das pessoas.

Uma das vantagens históricas de Londres sobre Frankfurt é a legislação trabalhista da Alemanha, que dificulta demissões em tempos de vacas magras. Na tentativa de tornar Frankfurt mais atraente, o governo estadual de Hesse estuda formas de flexibilizar essas regras.

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