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Desemprego na zona do euro está diminuindo rapidamente

Alessandro Speciale

(Bloomberg) -- Os eleitores da Itália podem não enxergar a situação dessa forma, mas o desemprego está caindo rapidamente na zona do euro.

Como ressaltam os economistas Ricardo García e Christoph Buxtorf, do UBS Wealth Management, em nota, o desemprego no bloco monetário formado por 19 países caiu mais rapidamente do que muitos previam, entre eles o Banco Central Europeu.

De fato, a taxa de desemprego de outubro, de 9,8%, é a mais baixa em mais de sete anos e foi menor do que a média de 9,9 por cento que o BCE previa para 2017 em suas projeções de setembro.

A velocidade do declínio certamente afetará as novas projeções que serão publicadas na quinta-feira. Os dados, aliados a um índice de emprego que cresce constantemente, sugerem que o diferencial de produção poderia estar diminuindo rapidamente pelo menos em alguns dos países da região, o que em contrapartida significaria que a inflação doméstica poderia subir mais rapidamente do que o esperado.

No Conselho Governativo, "os mais linha-dura podem argumentar que após o impulso do petróleo à inflação global em 2016 e 2017, a redução suave e rápida do diferencial de produção poderia respaldar a inflação global e a inflação subjacente em 2018 e 2019", escreveram García e Buxtorf.

De fato, o BCE já tentou explicar esse declínio inesperado. Em um artigo do Economic Bulletin publicado em setembro, a instituição argumentou que houve dois motivos principais.

Por um lado, países como Alemanha e Espanha (e, em menor grau, Itália) fizeram reformas no mercado de trabalho, deixando-os mais capazes de responder às flutuações da economia; por outro lado, a queda do desemprego também se deve a fatores mais de longo prazo, como o fato de o setor de serviços ter passado a ser o motor de crescimento.

"O forte desempenho recente do emprego em relação aos avanços do PIB se deve, em parte, às mudanças estruturais que estão em andamento na zona do euro, incluindo mudanças setoriais em andamento e mudanças de composição da mão de obra, que resultaram em um mercado de trabalho mais flexível e mais sensível às dinâmicas cíclicas", concluiu.

Há um certo debate sobre se as reformas do mercado de trabalho ajudam ou prejudicam na busca por uma inflação mais elevada. Por enquanto, o BCE provavelmente ficará satisfeito com o fato de o desemprego ter voltado a ser de um dígito.

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