Nomura prevê 10 'cisnes cinzentos' nos mercados em 2017

Isobel Finkel e Natasha Doff

(Bloomberg) -- Os cisnes negros do mercado estão rapidamente se transformando em cinzentos.

O Brexit, a eleição de Donald Trump e um bull market cambaleante no mercado de títulos, todos eles ajudaram os analistas a mudarem o status das projeções de riscos para 2017 de leitura pitoresca de humor para razões para ter noites de insônia.

Os analistas da Nomura são os últimos a entrarem na tendência - avisando os investidores para se prepararem para "acontecimentos improváveis, mas de grande impacto", incluindo a possibilidade de controles de capital nos mercados emergentes, um crescimento da inflação que não acontece há muito tempo no Japão e um conflito do Federal Reserve (Fed) com o governo dos EUA.

"É desnecessário dizer que nenhum deles é o nosso cenário base", dizem os analistas. Obviamente, os investidores prejudicados pela turbulência de 2016 sabem que isso não significa necessariamente que eles não vão acontecer.

Estes são os 10 eventos da Nomura que poderiam acabar perturbando seu 2017.

Rússia em guerra

Ponto básico nas listas de cisnes cinzentos desde que Vladimir Putin anexou a Crimeia há dois anos, uma agressão militar russa no Leste Europeu continua sendo um dos grandes riscos de 2017. Embora uma invasão militar seja improvável, as bases para isso podem ser lançadas de várias maneiras no ano que vem, desde mudanças na política exterior dos EUA até a eleição de líderes populistas na Europa, segundo a Nomura. Prepare-se para riscos com posições compradas em CDS de qualquer país do Báltico, vendas a descoberto de créditos e operações com a Polônia como 'proxy' negativo.

Aumento da produtividade nos EUA

As autoridades do Fed defendem que o estímulo fiscal do presidente eleito deveria procurar aumentar a produtividade, mas a Nomura afirma que um crescimento dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento já poderia estar preparando o terreno para isso. Como o boom da tecnologia na década de 1990, isso poderia pegar os analistas de surpresa, mas poderia ter consequências que vão de uma sequência mais rápida de aumentos das taxas de juros até um crescimento constante das ações, caso se materialize.

Yuan flutuante na China

Conforme sugerem fluxos de saída recentes, medidas apressadas para liberalizar o regime cambial da segunda maior economia do mundo poderiam causar um choque na balança de pagamentos. A probabilidade de a China atingir essa meta nos próximos 12 meses é "muito baixa", dizem os analistas da Nomura, mas preparem-se para um yuan fraco se isso acontecer.

Uma saída do Brexit

A primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, disse que irá iniciar o processo de separação em março do ano que vem e seu slogan favorito, "Brexit significa Brexit", soa como se ela estivesse falando sério. Mas há duas grandes situações que poderiam tranquilizar os 48 por cento: o caso em julgamento pelo Supremo Tribunal do Reino Unido poderia levar a convocar eleições gerais se estimular os setores pró-EU do Parlamento, e - na tentativa de evitar uma separação mais profunda - a UE poderia fazer concessões ao país para salvar as aparências.

Controles de capital em mercados emergentes

Os mercados emergentes poderiam sofrer "fluxos de saída acentuados" em 2017 se o gasto em estímulo planejado por Trump aumentar os rendimentos dos EUA e fortalecer mais o dólar. Isso poderia fazer com que as autoridades tomem medidas e elas ainda poderiam coordenar uma rebelião coletiva contra os EUA. Os países mais expostos são aqueles com moedas voláteis, poucas reservas monetárias e juros relativamente baixos.

Salto da inflação no Japão

E se o mercado estiver errado ao precificar uma alta moderada da inflação no Japão no ano que vem? Um forte aumento - possivelmente provocado pela colisão entre uma alta dos preços do petróleo e um enfraquecimento do iene - poderia levar o Banco do Japão a intervir elevando sua meta de rendimentos em 10 anos, hoje de zero por cento. Uma mudança semelhante poderia ter impacto global porque a inflação e os rendimentos dos títulos mais importantes do mundo estão altamente correlacionados.

Crise nas câmaras de compensação

Os riscos sistêmicos decorrentes das câmaras de compensação criadas para conter os riscos sistêmicos não são novidade para os reguladores: os órgãos de monitoramento da estabilidade financeira já estão tomando medidas para lidar com qualquer possível efeito. "A interação entre bancos em problemas, a escassez de garantias, movimentos acentuados em um mercado com preços elevados e com as contrapartes centrais no centro" poderiam provocar uma crise, no pior cenário projetado pela Nomura.

Briga entre Trump e o Fed

A presidente do Fed já indicou que ficará até o fim do mandato. Contudo, Janet Yellen foi alvo de duras acusações durante a campanha do futuro presidente e a Nomura considera que uma mudança no comando do banco está entre os riscos remotos em 2017. O mais provável é que Trump nomeie simpatizantes no conselho quando o mandato dos atuais expirar. A consequência poderia ser uma alta dos juros.

Reversão da Abenomics

O resultado mais provável de uma eleição geral no Japão é que o apoio ao primeiro-ministro, Shinzo Abe, se solidifique. Isso significa que qualquer coisa que fraturar essa estabilidade será um grande choque para o mercado. Uma diminuição do poder de Abe poderia provocar a reversão de operações feitas com base na Abenomics e as ações japonesas seriam as mais prejudicadas.

O fim do dinheiro

Parece inevitável que os pagamentos eletrônicos substituam notas e moedas em algum momento, mas a Nomura considera um motivo pelo qual isso poderia acontecer mais cedo ou mais tarde: rendimentos negativos. O dinheiro eletrônico impediria que possíveis poupadores que guardam dinheiro no colchão evitassem as taxas de juros negativas. O risco desse cenário, obviamente, é que os poupadores tenham prejuízo e os consumidores comecem a inventar novas moedas fortes.

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