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Acordos fracassados foram marca de fusões e aquisições em 2016

Ed Hammond

(Bloomberg) -- Alguns recordes são desejáveis, outros não. Em 2016, a estatística de fusões e aquisições que salta aos olhos é a morte de quase US$ 570 bilhões em acordos, a maior quantia desde o auge da crise financeira, em 2008.

O aumento no número de fracassos reflete não só a ambição exagerada por trás de muitos dos acordos assinados em 2015, mas também o ambiente regulatório mais rígido e a disposição dos políticos de atrapalhar negócios que consideram não ser do interesse nacional.

"Aparentemente, o nível geral de apoio dos investidores a transações incentivou empresas a desafiarem os limites regulatórios ao mesmo tempo em que esses limites ficaram mais rígidos", afirmou Peter Tague, corresponsável global por fusões e aquisições do Citigroup. "Mas o que foi realmente incomum em 2016 não foi o número de transações canceladas, mas o tamanho."

O maior noivado desfeito no ano foi a compra da farmacêutica Allergan pela Pfizer por US$ 160 bilhões, segundo dados compilados pela Bloomberg. O acordo anunciado em novembro de 2015 foi polêmico desde o início. A Pfizer não escondeu que parte do seu interesse era usar a fusão para mudar seu endereço fiscal para a Irlanda.

Em abril, o governo dos EUA - que há muito tempo critica acordos sob os quais as empresas americanas mudam o endereço fiscal para o exterior ? tomou a providência incomum de calibrar as regras para tratar de uma transação específica. Pfizer e Allergan logo abandonaram o acordo.

Preocupações antitruste de praxe levaram ao cancelamento de outras fusões, como a acertada entre as varejistas de materiais de escritório Staples e Office Depot, por US$ 6,3 bilhões, e a compra da prestadora de serviços a petrolíferas Baker Hughes pela Halliburton por US$ 28 bilhões.

A percepção de que a resposta das autoridades reguladoras poderia ser mais contundente levou empresas e as instituições que as assessoram a repensar a estratégia de fusões e aquisições.

"Uma das tendências que observamos é o aumento de acordos estruturados como fusão de iguais", disse Anu Aiyengar, responsável pela área de M&A na América do Norte do JPMorgan Chase. "Embora sejam mais difíceis de elaborar, são atraentes em um ambiente de incerteza política e regulatória porque o risco de negócio é compartilhado por ambas as empresas."

Contudo, os acordos que morreram neste ano não foram, em sua maioria, vítimas de políticos ou autoridades reguladoras exageradas. Muitos compradores viram outros darem lances maiores ou se viram diante de um vendedor desconfiado, como foi o caso entre as empresas alemãs de empreendimentos imobiliários Vonovia e Deutsche Wohnen.

Após uma batalha de quatro meses, na qual os investidores da Deutsche Wohnen falaram publicamente contra o preço proposto, a Vonovia não conseguiu a quantidade necessária de ações para seguir adiante com a proposta de 8 bilhões de euros (US$ 8,3 bilhões).

Um motivo para o descasamento de intenções de compradores e vendedores em 2016 foi a força do mercado acionário.

"Um mercado robusto de fusões e aquisições para acordos em dinheiro e a alta das bolsas fazem do preço do negócio um alvo em movimento", disse Aiyengar, do JPMorgan. "Quando o alvo vê o mercado ao redor subindo, as expectativas do valor das fusões e aquisições começam a subir."

Com o índice Dow Jones se aproximando de 20.000 pontos, muitas das empresas que recusaram o assédio se viram recompensadas.

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