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Banco italiano mais antigo do mundo deverá ser nacionalizado

Edward Robinson e Sonia Sirletti

(Bloomberg) -- O silêncio era ensurdecedor. Na tarde de 9 de dezembro, Marco Morelli, presidente do Banca Monte dei Paschi di Siena SpA, estava se preparando para uma reunião do conselho nos escritórios do período Belle Époque da instituição, em Milão, quando recebeu a bomba: o Banco Central Europeu havia rejeitado seu pedido por mais prazo para captar os 5 bilhões de euros (US$ 5,2 bilhões) necessários para que o banco continuasse operando.

Tanto os executivos reunidos quanto os assessores do JPMorgan Chase & Co. e Mediobanca SpA não conseguiam acreditar na recusa do BCE em ceder à proposta, segundo pessoas que acompanharam as negociações. Ligações e e-mails foram inúteis. A hora da verdade havia chegado para o banco mais antigo do mundo, depois de anos de passos em falso.

"É uma tragédia nacional", disse Marco Elser, sócio em Roma da firma de investimentos britânica Lonsin Capital Ltd. "O Monte Paschi sobreviveu à Inquisição, à unificação da Itália, ao fascismo e a duas guerras mundiais. Mas não pôde sobreviver à má gestão e à corrupção de banqueiros e políticos no século 21."

A crise do banco também colocou os resgates financiados pelos contribuintes novamente no radar das autoridades reguladoras europeias, um resultado que por anos tentaram evitar. A instituição se tornou a peça central de um plano de resgaste de 20 bilhões de euros para os bancos italianos, imersos em dívidas de alto risco no valor de 360 bilhões de euros. É a maior intervenção na Itália desde que Benito Mussolini assumiu o controle dos bancos em 1933 ? incluindo o Paschi ? como parte de seu pacote de nacionalização do setor privado.

Desafio para o setor regulatório na UE

O resgate pode resultar em desastre para os que depositaram suas economias na instituição toscana e abalar ainda mais a confiança no frágil sistema financeiro da Itália. Incentivados pelo banco, milhares de famílias e pequenos empreendedores aplicaram seus recursos em ações e bônus do Monte Paschi. De acordo com as novas regras da União Europeia, que protegem os contribuintes de terem de arcar com os custos dos resgates, os acionistas devem ser os primeiros a absorver as perdas.

Em janeiro, o setor financeiro italiano enfrentará um novo teste quando o UniCredit SpA, maior banco da Itália, der início à venda de 13 bilhões de euros em ações. Os empréstimos duvidosos do banco de Milão representam cerca de 15% do total de ativos, bem abaixo dos 35% do Monte Paschi.

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