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Estados dos EUA criam empregos, mas perdem gente

Justin Fox

(Bloomberg) -- A população dos EUA continua se mudando para o Oeste e para o Sul: em 1º de julho, 61,6 por cento dos americanos viviam nessas duas regiões, anunciou o Escritório do Censo nesta semana. A fatia é maior que a de 60,4 por cento do censo de 2010, que os 58,1 por cento de 2000 e que os 55,6 por cento de 1990 - e também que os 44 por cento de 1950.

Parte dessa mudança populacional pode ser atribuída ao fato de os estados das regiões Sul e Oeste terem margens maiores de nascimento que de falecimento em relação às vizinhas Norte e Leste - o que faz sentido, considerando que a mediana das idades é superior no Centro-Oeste e no Nordeste dos EUA. A imigração do exterior é uma situação confusa. Houve mais (em relação à população como um todo) no Sul e no Oeste do que no Centro-Oeste desde 2010, mas a região Nordeste tem registrado a maior taxa de imigração de todas.

A diferença realmente drástica está na migração doméstica. As pessoas vêm deixando os estados do Centro-Oeste e do Nordeste e em sua maioria terminam nos estados do Sul e do Oeste.

A grande anomalia é a Califórnia, que está no Oeste, mas perdeu um total estimado de 383.344 moradores para outros estados desde 2010.

Poucos dos estados que vêm registrando muitas perdas migratórias domésticas ainda experimentam um crescimento populacional global sólido (de 4 por cento ou mais desde 2010, contra uma média nacional de 4,7 por cento): a Califórnia principalmente porque os nascimentos superam os falecimentos de longe, Massachusetts principalmente devido à imigração do exterior, Maryland por ambos os fatores.

E também - e eu considero isso realmente interessante - alguns dos estados com as maiores perdas migratórias desde 2010 também têm sido os maiores geradores de empregos do período.

Algumas ressalvas: com o nível de emprego em crescimento em todo o país, os maiores estados naturalmente verão alguns dos maiores números de crescimento de emprego. Além disso, alguns estados industriais foram atingidos de forma especialmente dura durante e até antes da recessão e se recuperaram desde então, mas ainda assim experimentaram um crescimento fraco do emprego a longo prazo (Michigan, por exemplo, atualmente tem 296.200 empregos não-agrícolas a menos do que em janeiro de 2000; Ohio, 113.000 menos).

Contudo, centros urbanos como San José/São Francisco, Boston e a cidade de Nova York vêm prosperando durante a última década ou mais, gerando empregos - muitos deles bem remunerados - a um ritmo muito mais rápido do que o país como um todo. Califórnia e Massachusetts aparecem em primeiro e segundo lugares no índice de inovação estadual 2016 da Bloomberg, que foi divulgado nesta semana. Esses lugares não estão perdendo força.

Por que as pessoas estão indo embora? No estado de Nova York grande parte do problema é que quase toda a geração de emprego se dá na cidade de Nova York e imediações, enquanto o restante do estado passa por dificuldades. Na Califórnia, a alta constante dos preços dos imóveis, os impostos elevados e as ruas congestionadas estão empurrando até mesmo profissionais bem remunerados para longe (esses fatores também se dão em Massachusetts e Nova York). Em todos esses lugares a aparente incapacidade de se construir novas moradias suficientemente próximas de onde os empregos estão sendo criados parece estar prejudicando o crescimento. E por isso a mudança populacional - para Texas, Florida, Colorado e Carolina do Norte - continua.

Essa coluna não reflete necessariamente a opinião do conselho editorial ou da Bloomberg LP e seus proprietários.

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