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Aposta da Toyota em carros híbridos compensa na Europa

Craig Trudell e Elisabeth Behrmann

(Bloomberg) -- Durante anos a Toyota Motor se concentrou no estímulo aos seus modelos híbridos na Europa, evitando uma concorrência diesel contra diesel com líderes de mercado como a Volkswagen. A estratégia da fabricante de veículos japonesa finalmente está compensando.

No primeiro ano cheio desde que o escândalo das emissões da Volkswagen gerou desordem na gigante alemã, a Toyota caminha para um salto de cerca de 40 por cento nas venda anuais de veículos a gasolina e elétricos na Europa. Os híbridos deverão responder por mais da metade das vendas da Toyota na região até o fim da década, segundo Karl Schlicht, vice-presidente-executivo da divisão europeia da fabricante de veículos.

O dilema da Toyota na Europa foi gerado por uma incompatibilidade de produto, e não por uma crise regulatória. No início da década, quando a demanda por seu modelo Prius estava subindo em outros mercados, como os EUA, o modelo era pouco atraente para os consumidores da Europa, onde mais da metade das vendas de todo o setor era de veículos a diesel.

Depois que o escândalo da Volkswagen minou esse tipo de transmissão, a decisão estratégica da Toyota de evitar colocar seus modelos em posição diretamente contrária aos veículos a diesel e forçar suas concessionárias a comercializarem carros híbridos agora está rendendo resultados.

"Quando você tem uma estratégia impulsionada pela necessidade e está fazendo a coisa certa para os clientes e para o mundo, essa força é muito poderosa", disse Schlicht, em entrevista. "Nós meio que tivemos que fazer as coisas assim e isso nos deu foco."

A Toyota ainda é um ator pequeno na Europa, onde registrou participação de mercado de 4,3% no período de 11 meses até novembro, muito menos que os 24,1% da líder Volkswagen, segundo a Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis. Contudo, a empresa está em posição invejável em relação à Volkswagen e a outros pares dependentes do diesel, como a BMW, a Daimler e a Fiat Chrysler Automobiles, que agora precisam voltar o foco às transmissões eletrificadas.

Eric Felber, porta-voz do grupo Volkswagen, preferiu não comentar sobre a ascensão das vendas de híbridos à custa dos carros a diesel.

As ações da Toyota caíram 8,7% neste ano, contra uma queda de 8,7% da Daimler e ganhos de 2,1% da Volkswagen e de 2,4% da Fiat Chrysler.

Analistas do UBS projetaram, em relatório deste mês, que o diesel irá quase desaparecer até 2025 e será substituído por veículos híbridos ou movidos a bateria. Atenas, Madri, Cidade do México e Paris prometeram eliminar os veículos a diesel até 2025 em uma tentativa de conter a poluição.

"O carro a diesel está em vias de desaparecer; estamos vendo o início do fim", disse Alexander Nix, dono de concessionária da Toyota na Alemanha desde 1980, por telefone. "À medida que virmos mais restrições às emissões, esses carros começarão a ficar caros demais. Nós já estamos observando isso."

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