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Caminho até uísque 100% à prova de Brexit passa por Xangai

Rodney Jefferson

(Bloomberg) -- Não é só a torre com telhado de pagode que dá à Annandale Distillery, na Escócia, um toque asiático.

Nos edifícios de pedra, as placas que indicam o caminho para os alambiques de cobre que produzem uísque escocês, para os banheiros e as lojas de presentes estão em três idiomas: inglês, gaélico escocês e mandarim.

"Isto deveria ser como Xangai", disse o coproprietário da Annandale, David Thomson, 62, refletindo sobre mercados que ganharam um novo significado para os exportadores desde que o Reino Unido decidiu, em referendo, deixar a União Europeia.

Fabricantes de uísque escocês como Thomson se opunham ao Brexit, embora se possa pensar que o setor seria exatamente do tipo que poderia apreciar as oportunidades descritas pelo governo britânico como acordos comerciais personalizados.

Noventa por cento dos destilados são enviados ao exterior, avaliados em 3,9 bilhões de libras (US$ 4,8 bilhões) em 2015, e as vendas isentas de impostos aduaneiros já estão protegidas por toda a Europa pela Organização Mundial do Comércio.

Mas as destilarias -- cuja subsistência depende de garantir que as pessoas de todo o mundo saibam o que esperar quando abrem uma garrafa -- realmente odeiam mudanças. Elas precisam planejar com muita antecipação: o verdadeiro uísque escocês precisa ser envelhecido no mínimo três anos em barris na Escócia.

"Eu não me lembro de nenhum membro que achasse que estaríamos melhor fora", disse Julie Hesketh-Laird, presidente em exercício da Associação do Uísque Escocês. "Agora estamos procurando ver onde estão as oportunidades e tentando minimizar os riscos."

O referendo foi realizado durante uma onda de investimentos e expansões do setor de uísque escocês nos últimos anos. A Annandale é uma de pelo menos 40 destilarias que estão em algum estágio da inclusão de seus nomes no mundo do uísque, maior número de chegadas potenciais em pelo menos meio século.

Será um grande desafio entrar em um mercado lotado e chamar a atenção dos consumidores chineses. Thomson, um professor que também administra uma empresa de marketing com a esposa, está se preparando para fazer exatamente isso. Ele ofereceu um de seus barris por 888 mil libras, jogando com o número da sorte na China. (A venda não se concretizou, informou a destilaria nesta semana).

O mercado de single malt, dominado pelas empresas de bebidas Diageo e Pernod Ricard, é onde as novas destilarias querem estar. Trata-se de um produto mais artesanal e lucrativo, que responde por cerca de um quarto de todas as exportações de uísque em valor, embora represente menos de um décimo do volume. A Annandale está produzindo dois tipos de uísque, um defumado com turfa e outro sem. Uma parte ficará pronta já a esta altura do ano que vem.

"O mundo é muito grande e nós somos uma destilaria pequena", disse Thomson. "Tudo depende de encontrar distribuidores competentes e confiáveis."

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