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Paris quer atrair 20.000 britânicos do setor bancário

Gavin Finch e John Detrixhe

(Bloomberg) -- Paris pode chegar a atrair 20.000 trabalhadores britânicos do setor financeiro e esse êxodo poderá começar dentro de algumas semanas quando o Reino Unido começar a se retirar da União Europeia, de acordo com o Europlace, grupo de lobby da capital francesa.

Paris vai expor seu caso aos executivos que moram em Londres em uma série de reuniões em fevereiro, porque a cidade está disputando os profissionais com cidades rivais como Frankfurt.

O material de marketing da Europlace mostra que Paris já emprega mais de 180 mil financistas, abriga o maior mercado de títulos da região e conta com o segundo maior número de gestores de ativos.

A competição entre as cidades que querem aproveitar o Brexit está esquentando porque a primeira-ministra britânica Theresa May pretende iniciar as negociações no fim de março. Diretores de bancos do mundo inteiro alertaram May que começarão em breve a transferir operações e empregos do Reino Unido para outros lugares da EU, a menos que ela consiga proteger o acesso fácil ao mercado europeu.

"Sentimos que serão tomadas decisões no primeiro semestre do ano novo", disse Arnaud de Bresson, diretor administrativo da Europlace, em uma entrevista em Londres. "Vemos que as instituições estão acelerando o processo de planejamento."

O tempo é escasso e os executivos dos bancos dizem que querem abrir escritórios novos ou ampliar os que já têm na UE antes que o Reino Unido saia do bloco, o que atualmente está programado para algum momento de 2019.

May afirma que deseja fechar o melhor acordo possível para os bancos, mas não deu detalhes sobre o que buscará negociar e também preferiu não apoiar totalmente uma etapa de transição que o setor está pedindo para aliviar a saída.

Argumentos de venda

A Europlace vai argumentar que Paris está melhor posicionada que os demais aspirantes à coroa de Londres. O grupo apresenta a cidade como o principal centro de operações da Europa continental para a negociação de swaps de taxas de juros, com um volume diário de negociação de derivativos de cerca de US$ 141 bilhões na França. O volume de negociação no Reino Unido é de US$ 1,18 trilhão.

Paris também se apresenta como uma cidade com as capacidades necessárias, em contraste com Frankfurt, que emprega menos de 100 mil pessoas no setor financeiro, e com Dublin, com apenas 30 mil. Outro ponto positivo, segundo a Europlace, é que as empresas francesas geralmente têm sede em Paris, ao passo que as alemãs estão espalhadas por todo o país.

Apesar de ser a sede de alguns dos maiores bancos da Europa, como o Société Générale e o BNP Paribas, a França há muito está atrás do Reino Unido e da Alemanha como centro internacional para o setor bancário.

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