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Merkel enfrenta Facebook em ano eleitoral na Alemanha

Birgit Jennen, Stefan Nicola e Arne Delfs

(Bloomberg) -- Enquanto comemorava a vitória na eleição de 2013 que lhe deu o terceiro mandato consecutivo como chanceler da Alemanha, Angela Merkel tocou no ombro de um colega e tirou uma bandeira alemã da mão dele. Um vídeo daquele pequeno gesto, destinado a evitar uma imagem que ela sabia que daria rapidamente a volta ao mundo, tornou-se viral nas redes sociais como suposta evidência da falta de patriotismo de Merkel - e agora está dando impulso a uma iniciativa para obrigar empresas como o Facebook a controlar o discurso de ódio e as notícias falsas.

Enquanto Merkel faz campanha para um quarto mandato, seu governo está intensificando a pressão sobre o Facebook e outras redes sociais para conter a propagação de publicações mal-intencionadas. No sábado, seu partido disse que a coalizão de Merkel está buscando uma legislação que exigiria que o Facebook e seus pares respondessem às queixas e excluíssem o conteúdo questionado no prazo de 24 horas ou seriam multados. Se for aprovada, a proposta seria a norma mais estrita enfrentada pelo Facebook nos países onde opera.

"As redes sociais demoram muito para remover insultos antes que eles se reproduzam sem controle", disse Stephan Harbarth, legislador sênior do partido CDU, de Merkel. "Existem limites claros para a liberdade de expressão no mundo real que ainda não são aplicados na internet e isso precisa mudar. Isto tem a ver com postagens de ódio e com notícias falsas."

'Catálogo de multas'

O Ministério da Justiça da Alemanha vai elaborar um projeto de lei que incluirá um "catálogo de multas" para as violações, disse Volker Kauder, principal porta-voz de Merkel no Parlamento, aos jornalistas no sábado. Thomas Oppermann, seu colega no Partido Social-Democrata, parceiro da coalizão de Merkel, disse no mês passado ao jornal Der Spiegel que as multas poderiam chegar a 500.000 euros (US$ 532.000) e que sites como o Facebook também deveriam ser obrigados a publicar correções após a remoção de posts criminosos.

Postagens no Facebook têm ajudado a alimentar o crescimento do partido Alternativa para a Alemanha (AfD, na sigla em alemão), que é ferozmente crítico de Merkel e que decolou no ano passado quando começou a atacar a chanceler por suas políticas de portas abertas à imigração.

Ataques ferozes

No entanto, o que realmente é necessário é um controle mais rigoroso dos ataques ferozes que se tornaram corriqueiros on-line, segundo Heribert Hirte, um legislador da CDU que defende o diálogo entre cristãos e muçulmanos. Seus comentários nas redes sociais, diz Hirte, provocaram respostas de ódio e mensagens de ameaças.

"Estou sendo chamado de traidor e recebendo mensagens que dizem coisas como: 'Sabemos onde você mora'", disse Hirte. "As mensagens de ódio podem ter um impacto real na opinião pública. Isso é algo que nós devemos combater, e o AfD está ajudando a disseminar mensagens de ódio."

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