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Base de dados de má conduta breca investidores antes que aprontem

Gavin Finch e Edward Robinson

(Bloomberg) -- Um jovem quer progredir na carreira em Wall Street. É o primeiro a chegar e o último a sair do escritório. Trabalha nos finais de semana e envia mensagens a colegas com estratégias de negociação a qualquer hora do dia ou da noite. E é identificado como potencial violador de regras.

É o admirável mundo novo da vigilância de traders. Erkin Adylov, que já foi analista de pesquisa do Goldman Sachs Group, está construindo um compêndio de vilanias com base no comportamento de centenas de personagens infames do mercado financeiro, como Tom Hayes, do UBS Group, e Jerome Kerviel, do Société Générale. Usando milhares de informações, desde os níveis de estresse em conversas gravadas à frequência de passagens pela área do café da firma, Adylov e sua equipe na Behavox classificam a propensão dos funcionários à má conduta antes que cometam qualquer deslize.

Pode parecer ficção científica, mas o fundo de hedge Marshall Wace e a corretora de corretoras TP ICAP já estão usando o software dessa startup para monitorar funcionários. Alguns dos maiores bancos de investimento e corretoras de commodities estão testando o sistema. Após pagarem multas de mais de US$ 200 bilhões nos últimos oito anos por desvios como lavagem de dinheiro, manipulação de mercados e financiamento de terroristas, os bancos estão recorrendo a empresas como a Behavox para saírem da mira das autoridades reguladoras.

"Quem não sabe o que seus funcionários estão fazendo está vulnerável", disse Adylov, 33 anos, nascido no Quirguistão. "Alguns bancos aparentemente não querem saber até que ponto vai sua exposição e são eles que serão multados da próxima vez."

Inteligência artificial

As instituições financeiras nunca foram tão investigadas. Agora, chegam a gastar um quinto da receita com compliance, contratando dezenas de milhares de investigadores, traders desempregados e gente que já trabalhou em agências de inteligência para fazer a varredura das comunicações de seus funcionários. Essas firmas não são motivadas somente pela ameaça de multas. Sob as novas regras que entraram em vigor no Reino Unido em março, pessoas com cargo sênior de gestão podem ser responsabilizadas pelas ações de seus subordinados e até condenadas à prisão.

A Behavox usa inteligência artificial para examinar cada aspecto da vida de uma pessoa no trabalho. Com essa tecnologia, os computadores aprendem a compilar e analisar enormes quantidades de dados. A Behavox processa petabytes de dados, enviando para investigação adicional qualquer aspecto fora do padrão. Pode ser algo aparentemente inócuo, como gritar durante um telefonema, acessar o computador da firma durante a madrugada ou ir ao banheiro com maior frequência do que os colegas. O sistema compara esses comportamentos com os padrões exibidos no passado por gente que saiu da linha.

Outras empresas usam tecnologia similar para monitorar as mesas de negociação, mas a Behavox vai além ao compilar uma biblioteca central de padrões comportamentais que fica disponível a todos os clientes. Adylov chama esse registro de Bolsa de Conduta de Risco. O desafio dele é convencer as instituições a compartilhar detalhes internos potencialmente embaraçosos. Se ele conseguir construir uma rede grande o bastante - maior do que a formada pelas três instituições que já aderiram --, a forma como os bancos se autopoliciam poderá ser transformada.

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