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Comércio e sanções transformaram pescador russo em bilionário

Alex Sazonov

(Bloomberg) -- No meio da manhã, olhando para a escuridão que se via da janela de seu escritório no sexto andar na Baía de Kola, Rússia, Vitaly Orlov se esforçava para ver a nova fábrica que ele acabou de construir do outro lado da água, mas sua vista estava obscurecida por um banco de nuvens que se aproximava e envolvia a paisagem marítima do ártico em um cinza impenetrável.

A estrutura de US$ 30 milhões é a joia da coroa da empresa de Orlov, a Norebo Holding, com sede em Murmansk. Entre filas de conjuntos habitacionais envelhecidos e uma igreja de madeira, ela foi construída para atender à frota de embarcações de pesca da Norebo, responsável por capturar quase 11 por cento das 4,75 milhões de toneladas que, segundo a Agência Federal Pesqueira da Rússia, os pescadores russos pegaram no ano passado.

"Desde sempre, só tive uma única certeza: minha vida sempre estará ligada ao Norte e à indústria pesqueira", disse Orlov, 51, educado e cauteloso, com um lenço quadrado no bolso de um terno feito à medida, em sua primeira entrevista à imprensa estrangeira.

A partir desse objetivo modesto, Orlov construiu uma fortuna avaliada pelo Bloomberg Billionaires Index em US$ 1 bilhão, se beneficiando dos conflitos do comércio mundial e das sanções que atualmente definem a Rússia de Vladimir Putin. Embora sua empresa realize até 60 por cento das vendas fora do país, também observou um aumento do consumo doméstico porque as sanções limitam as importações de alimentos.

Orlov assumiu o controle da Norebo no ano passado quando um sócio vendeu sua parte no empreendimento de volta para ele e um outro foi condenado por tentar extorquir uma participação própria. A empresa de capital fechado teve US$ 600 milhões em receita em 2015, segundo Orlov, e tem US$ 450 milhões em dívida líquida emitida para financiar a expansão e consolidar a propriedade. Um benefício de depender das exportações é que a Norebo obtém a maior parte de sua receita em moedas estrangeiras e tem a maioria dos custos operacionais em rublos.

Importações destruídas

Quando Putin comprou briga com o Ocidente há três anos ao sancionar a anexação da Crimeia da Ucrânia, ele proibiu importar alimentos dos países que se alinharam contra ele. Toneladas de alimentos importados foram reunidos, exibidos e destruídos por uma niveladora em um espetáculo global de rebeldia.

A empresa exportadora de Orlov não foi afetada pelas sanções, que excluíram produtos alimentícios, e as contramedidas de Putin provocaram um pico de vendas domésticas de capelins, cavalas e arenques pescados pela Norebo.

As atividades da Norebo contam com o apoio adicional do crescente mercado de peixes, porque os consumidores buscam adicionar proteínas saudáveis à dieta, de acordo com uma pesquisa das Nações Unidas. O Conselho Norueguês de Frutos do Mar reportou que o preço do bacalhau, especificamente, subiu cerca de 13 por cento desde 2013.

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