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Colosso midiático alemão aposta na força dos livros de papel

Stefan Nicola

(Bloomberg) -- Você se lembra dos livros - sabe, aquelas coisas impressas com tinta em papel? Eles morreram com a chegada dos livros eletrônicos como o Amazon Kindle, não é? Não. As vendas de livros físicos subiram nos três últimos anos nos EUA e Thomas Rabe prevê grandes lucros com elas. O setor editorial "é e continuará sendo um dos nossos negócios básicos estratégicos", diz o CEO da Bertelsmann, um conglomerado alemão fundado em 1835 como editora de hinos de igreja que hoje emprega 117.000 pessoas em TV, revistas, educação e mais.

Rabe está prestes a aumentar sua participação de 53 por cento na Penguin Random House após sua sócia, a Pearson, revelar que planeja vender sua participação de 47 por cento. Em 2012, as duas empresas fusionaram seus ativos editorais para ganhar mais peso frente a nomes como Amazon.com, Apple e Google. Em 2015, a Penguin Random House, a maior editora do mundo, aumentou as vendas para 3,7 bilhões de euros (US$ 4 bilhões) frente a 2,7 bilhões de euros em 2013. Isso aconteceu graças à presença em mercados de crescimento rápido, como a Índia, e a grandes sucessos como o thriller de Paula Hawkins "A Garota no Trem" e a série "Cinquenta Tons de Cinza", de E L James. Em 2015, os lucros da editora deram um salto de mais de 50 por cento em relação ao ano anterior, para 557 milhões de euros, e a participação da Pearson poderia valer US$ 1,5 bilhão, estima a Liberum Capital.

Embora a Bertelsmann, controlada pela bilionária família alemã Mohn, não tenha fornecido detalhes específicos, Rabe diz que está interessado em comprar a participação da Pearson. "Faremos tudo para orientar essa empresa para um crescimento maior", disse ele. Uma aquisição seguiria o padrão de Rabe de aumentar seu compromisso com setores que ele considera fundamentais. Em 2014, ele comprou os 25 por cento da editora alemã de revistas Gruner + Jahr que a Bertelsmann não possuía, terminando uma parceria de 45 anos com a família Jahr. Um ano antes, a Bertelsmann assumiu a propriedade total da editora musical BMG Rights Management da casa de private equity KKR.

A aposta em livros seria grande para um setor que apenas alguns anos atrás era desprezado e considerado um dinossauro analógico na floresta digital. Uma análise dos dados desde a virada do século, com o aumento dos títulos digitais, dos audiolivros e das autopublicações (que excluem nomes como a Penguin Random House), há motivos para se preocupar. A receita das editoras não mudou muito nesta década, a informação antes obtida em categorias de livros que eram grandes geradores de lucro - pense em dicionários, enciclopédias e atlas - agora pode ser acessada on-line grátis. Contudo, os livros ainda produzem margens saudáveis para gigantes que se beneficiam de economias de escala quando produzem grandes sucessos dos autores mais populares. A Penguim Random House, dona de 250 editoras em cinco continentes, publicou cinco dos 10 livros de papel mais vendidos nos EUA no ano passado.

"O mercado de livros está muito melhor do que as pessoas projetavam há cinco anos", diz Ian Whittaker, analista da Liberum Capital.

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