Reis do setor químico da China disputam prêmio global

Bloomberg News

(Bloomberg) -- Essa é uma batalha entre dois grandes negociadores e o prêmio pode ser a chance de administrar a maior empresa química do mundo.

De um lado está o chefe da Sinochem Group, "Frank" Ning Gaoning, que estaria negociando um segundo grande acordo com a trader global de commodities de Richard Elman, a Noble Group.

Do outro lado está Ren Jianxin, presidente do conselho da China National Chemical, ou ChemChina, cuja oferta de US$ 43 bilhões para comprar a fabricante suíça de pesticidas e sementes Syngenta está sendo analisada atualmente por autoridades da China, da Europa e dos EUA.

Juntos, os dois fecharam dezenas de acordos nas últimas três décadas para construir gigantescas empresas de recursos com negócios em diversos ramos, desde refino de petróleo até vacas leiteiras. Agora, a China quer combinar a Sinochem com a ChemChina como parte do esforço do governo central para dinamizar as empresas estatais e criar uma campeã nacional para assegurar a oferta de commodities.

A combinação poderá ocorrer após a aquisição da Syngenta, a maior compra internacional da história feita por uma empresa chinesa, segundo pessoas familiarizadas com o assunto, que pediram anonimato porque o plano não foi tornado público.

Mas quem administraria a megacompanhia, Ren ou Ning?

"A compra de uma participação na Noble, além dos outros acordos relacionados com a Noble que foram guiados por Ning na Cofco, certamente deixa a impressão de que Ning sabe quando e como adquirir ativos importantes", disse Tian Miao, analista da North Square Blue Oak em Pequim. "Dito isto, Ren também tem um forte histórico de aquisições internacionais e é conhecido como um executivo capaz de fornecer resultados."

Outros fatores

Tian disse que a Comissão de Supervisão e Administração de Ativos do Estado, órgão do governo que supervisionaria a fusão, teria que avaliar muitos outros fatores para decidir quem lideraria o grupo combinado. Os porta-vozes da Sinochem e da ChemChina disseram que não havia negociação em andamento para combinar as duas entidades estatais. Ren e Ning não responderam aos pedidos de comentário de suas empresas.

O traço comum nas carreiras de ambos é o sucesso para fechar negócios. Na Cofco, Ning adquiriu uma participação na China Mengniu Dairy e realizou uma série de aquisições internacionais multibilionárias, inclusive as da trader de alimentos holandesa Nidera e da divisão agrícola da Noble Group.

Ren, da ChemChina, orquestrou mais de 100 acordos, incluindo a fusão que criou o grupo estatal, em 2004. Ele adquiriu empresas químicas da França e da Noruega e uma companhia agroquímica israelense. Certa vez, ele comprou cópias de pinturas da França por cerca de 3 euros (US$ 3,19) cada -- e as colocou em cada andar da sede da ChemChina em Pequim para que os funcionários franceses visitantes se sentissem em casa.

Com a adição da Syngenta, o grupo total combinado pode ter de se reorganizar e abandonar alguns negócios, disse Michal Meidan, especialista em China da Energy Aspects em Londres. "Uma empresa gigante combinada teria muito dificuldade de conseguir aprovação regulatória globalmente e poderia precisar se dividir em diversas unidades."

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos