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Análise: Unilever não pode relaxar após rejeitar oferta da Kraft

Andrea Felsted e Chris Hughes

(Bloomberg) -- A Unilever recebeu um alerta de Warren Buffett e do bilionário brasileiro Jorge Paulo Lemann.

Essa não é uma posição agradável. A gigante de produtos de consumo anglo-holandesa pode ter saído ilesa da tentativa que eles fizeram de comprar a fabricante do sorvete Magnum por US$ 143 bilhões para encaixá-la em sua operação na Kraft Heinz.

Mas a Unilever e o CEO Paul Polman ainda estão em alerta.

Buffett e a empresa 3G Capital de Lemann viram que havia gordura para cortar na Unilever. Agora, Polman precisa fazer o trabalho por conta própria. Ele precisa trabalhar com a suposição de que a Kraft Heinz vai querer retornar.

Segundo as regras de aquisições do Reino Unido, a Kraft Heinz agora está proibida de apresentar uma oferta pela empresa durante seis meses -- a menos que a Unilever concorde, ou que outro ofertante coloque a companhia no páreo. Esse período passará rapidamente.

A Kraft Heinz já havia elevado o nível de exigência de rentabilidade no setor de consumo: suas margens operacionais ofuscam as da Unilever.

Polman havia estabelecido seu próprio plano de economia de custos, tomando emprestado o modelo de orçamento base zero da Kraft Heinz, segundo o qual qualquer gasto adicional precisa ser financiado com economia de custo. Ele duplicou sua meta para expansão das margens da Unilever e atualmente busca um aumento de 0,4 a 0,8 ponto percentual até 2019.

A dificuldade é que os investidores não deram nenhum crédito à Unilever. Mesmo depois que subiram 13 por cento por causa do anúncio de sexta-feira, as ações da empresa ainda estão 13 por cento abaixo na comparação com as de seus pares em uma base de valor corporativo contra Ebitda. A expectativa é que a ação caia fortemente na manhã desta segunda-feira.

Polman precisa fazer mais.

Ele diz há tempos que a questão na Unilever é criar valor a longo prazo -- mas os investidores não podem esperar para sempre. Em algum momento ele precisará entregar resultados. O crescimento no ramo de cuidados pessoais, no qual a Unilever vem investindo em produtos de alto padrão voltados à geração Y, perdeu força no quarto trimestre.

Polman pode fazer parte do que a Kraft Heinz teria desejado fazer: melhorar o balanço e vender o negócio de alimentos untáveis, que registra desempenho ruim.

E há também uma opção mais radical. Há uma forte suposição de que Polman se aposentará nos próximos anos. O processo poderia ser adiantado.

Há vários candidatos internos, incluindo o diretor financeiro, Graeme Pitkethly, e Amanda Sourry, responsável pelo setor de alimentos. Dave Lewis, CEO da Tesco, era visto como provável herdeiro de Polman quando supervisionava o setor de cuidados pessoais da Unilever. Após adquirir a Booker Group e os serviços de seu CEO, Charles Wilson, ele poderia agora estar disponível para retornar à Unilever.

Polman afastou seus predadores por enquanto simplesmente recusando-se a participar. É improvável que Buffett, em particular, queira se envolver em uma aquisição hostil. Uma Kraft Heinz mais bem preparada, tendo em mãos uma oferta mais gorda, ainda pode levar os investidores da Unilever a pressionarem o conselho da empresa a conversar sobre um acordo.

É possível que a Kraft Heinz agora esteja procurando em outros lados formas de alimentar seu hábito de realizar fusões e aquisições -- as margens podem ter atingido o pico e a receita está perdendo força, por isso a empresa precisa de mais aquisições.

Mas isso não desobriga Polman de acelerar o passo.

Esta coluna não reflete necessariamente a opinião da Bloomberg LP e de seus proprietários.

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