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BTG lucra com crédito distressed ao investir em próprio título

Cristiane Lucchesi

(Bloomberg) -- O Grupo BTG Pactual fez uma aposta vencedora em um risco que poucos estavam dispostos a assumir: os títulos do próprio banco brasileiro.

Pressionado depois que a prisão do ex-presidente André Esteves iniciou uma crise de liquidez, em novembro de 2015, o BTG, que tem sede em São Paulo, começou a adicionar à sua carteira mais títulos perpétuos do próprio banco, papéis sem data de vencimento. Os títulos, que viram seu preço cair a 44 centavos de dólar naquela época, estavam a 94 centavos no dia 17 de fevereiro.

"Queríamos mostrar comprometimento com nosso negócio e também aproveitar a oportunidade para lucrar e assim começamos a comprar não só nossas próprias ações mas também os títulos de dívida externa perpétuos quando os preços caíram para níveis distressed", disse João Dantas, diretor financeiro do BTG, em entrevista em São Paulo. "Isso acabou se tornando um investimento muito atrativo."

O BTG começou a comprar os títulos quando eles foram emitidos, em 2014. Do total de US$ 1,3 bilhão, US$ 575 milhões foram comprados pela unidade de banco comercial e US$ 375 milhões por "certos sócios agindo em seu próprio nome", segundo o prospecto. As aquisições, pelo valor nominal, ocorreram cerca de um ano antes da prisão de Esteves por desdobramentos das investigações da Operação Lava Jato. Esteves foi colocado em prisão domiciliar em dezembro de 2015 e solto em abril de 2016. Por meio de seus advogados, ele nega ter praticado qualquer irregularidade.

Embora confirme as aquisições adicionais após a crise de 2015, Dantas não deu detalhes sobre quanto a empresa comprou ou vendeu desde 11 de outubro de 2014, data da emissão original. Cerca de 27 por cento dos títulos foram negociados no mercado quando emitidos pela primeira vez. Os sócios e o próprio banco atualmente possuem cerca de 80 por cento dos papéis, segundo o BTG.

A BTG Pactual Participations, unidade que abriga a área de principal investments do BTG, possuía entre seus ativos em dezembro R$ 1,72 bilhão (US$ 558 milhões) em títulos perpétuos do banco, que têm um cupom de 8,75 por cento, segundo balanço de resultados do BTG. Os títulos mantidos por sócios individuais não foram revelados.

Receita, lucros

A BTG Participations registrou receita de R$ 418,2 milhões em 2016, com lucro líquido de R$ 400,7 milhões no ano passado e retorno sobre o patrimônio de 17,6 por cento, devido principalmente à marcação a mercado positiva dos títulos do Banco BTG Pactual, informou a companhia em suas declarações financeiras. O resultado foi melhor que o retorno sobre o patrimônio de 15,5 por cento do grupo como um todo.

Os títulos perpétuos são dívidas subordinadas que fazem parte do capital Tier 1 do banco e foram emitidos para a compra do BSI, banco suíço vendido pelo BTG após sua crise. Os títulos foram usados também para melhorar a estrutura de capital do banco e para fins corporativos gerais, segundo o prospecto.

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