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Trump atrapalha estreia da Estátua da Liberdade no carnaval

David Biller

(Bloomberg) -- Elvis Presley, Dolly Parton e 150 Beyoncés, ou pelo menos seus imitadores, vão desfilar junto com um carro alegórico com uma gigantesca e reluzente Estátua da Liberdade no maior palco do Brasil na próxima semana.

O espetáculo é parte de um plano para aproveitar o poder do carnaval do Rio de Janeiro para promover os interesses dos EUA. A ideia, concebida durante o governo de Barack Obama, era estabelecer uma parceria com uma escola de samba para polir a imagem dos EUA, atrair mais turistas e ajudar Washington a cumprir metas de política externa.

No entanto, essa iniciativa pode soar vazia para os brasileiros, receosos em relação ao governo do presidente Donald Trump.

"Todo mundo com quem conversei está horrorizado com Trump", disse Roberto da Matta, antropólogo formado em Harvard, da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e professor emérito da Universidade de Notre Dame. "Uma das coisas que mais preocupa os brasileiros é a incerteza. Aonde os EUA estão indo? O que eles vão fazer?"

Assim como o restante do mundo, os brasileiros estão observando as mudanças das políticas dos EUA. Eles enfrentam procedimento apertado(?) para tirar o visto por causa do mesmo decreto que vetou a entrada de refugiados e cidadãos de sete países de maioria muçulmana. A promessa de fazer com que o México pague pelo muro da fronteira rendeu a Trump uma rara repreensão do Itamaraty no começo deste mês. E fantasias que satirizam o próprio Trump circulam pelos blocos que antecedem o carnaval no Rio, junto com farristas vestidos de mexicanos com tijolos de mentira.

Biquínis brilhantes

O carnaval do Brasil é uma ferramenta de marketing extraordinária. Os dois dias dessa extravagante competição, com exibições de pele, arranjos de cabeça com plumas e biquínis brilhantes, são assistidos por mais de 70.000 espectadores nas arquibancadas de concreto do Sambódromo e transmitidos a cerca de 50 milhões de telespectadores em casa. No Rio e em todo o país, bairros inteiros se juntam para torcer pelas principais escolas com uma devoção normalmente reservada aos times de futebol.

Unidos da Tijuca, a escola de samba que está organizando o desfile cuja temática é a música dos EUA, é uma das melhores do Brasil. Seu desfile, no dia 27 de fevereiro, incluirá um encontro no Rio entre o jazzista Louis Armstrong e o compositor brasileiro Pixinguinha, assim como um carro alegórico em formato de barco a vapor de New Orleans, que promoverá o turismo a uma cidade que a maioria dos brasileiros não conhece.

O envolvimento dos EUA reflete "a atmosfera mais amigável, aberta e conectada que, em minha opinião, Obama realmente tentava cultivar", disse David Reibstein, professor de marketing da Wharton School, da Universidade da Pensilvânia, que ajuda a coordenar a pesquisa Best Countries sobre como os países são vistos mundialmente. "Minha impressão é que Trump está muito preocupado em construir uma marca internamente, e menos externamente."

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