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Fukushima terá sede da Olimpíada 2020 perto do lugar do desastre

Shin Shoji

(Bloomberg) -- A prefeitura japonesa de Fukushima, atingida por um desastre, receberá alguns jogos de beisebol e softbol nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020, em uma instalação localizada a 70 quilômetros da usina nuclear desativada de Fukushima Dai-Ichi.

O comitê organizador de Tóquio informou em um comunicado na sexta-feira que o estádio de beisebol Fukushima Azuma receberia as partidas, acrescentando que os eventos respaldariam os esforços de recuperação da região devastada por terremoto, tsunami e colapso nuclear em março de 2011.

"Ao receber eventos olímpicos de beisebol e softbol Fukushima terá uma grande vitrine para mostrar ao mundo o alcance de sua recuperação no período de 10 anos desde o desastre", disse o presidente da Tóquio 2020 e ex-primeiro-ministro japonês Yoshiro Mori no comunicado. O presidente da Confederação Mundial de Beisebol e Softbol (WBSC, na sigla em inglês), Riccardo Fraccari, disse que a decisão mostrava "o poder do esporte de criar um mundo melhor".

Uma pesquisa recente do jornal Yomiuri mostrou que 88 por cento das pessoas ouvidas aprovavam a organização de eventos na região atingida, mas nem todos mostram tanto entusiasmo. Mais da metade dos prefeitos de cidades e localidades das três regiões mais atingidas pelo desastre de 2011 disseram que a ideia de transformar a Olimpíada nos "Jogos da Reconstrução" está perdendo força, segundo pesquisa do jornal Mainichi.

Seis anos após o desastre, a região ainda enfrenta o estigma do acidente nuclear. Nesta semana, um programa de denúncias de uma emissora de televisão estatal chinesa acusou a empresa varejista Ryohin Keikaku de ocultar que certos alimentos eram provenientes de regiões japonesas com importação proibida após o colapso nuclear. O Shanghai Daily publicou hoje que o governo local não encontrou evidências de que a operadora de lojas Muji importava alimentos da região.

Escândalos, custos

A região também receberá os jogos olímpicos de futebol na cidade de Sendai, a cerca de 100 quilômetros ao sul do local do desastre. A base de limpeza da usina nuclear de Fukushima deverá retornar ao seu uso original como campo de treinamento da seleção nacional de futebol do Japão.

A Olimpíada de 2020 tem sido marcada por controvérsias e a alegria inicial do Japão com a vitória para sediar o evento diminuiu em meio a uma série de escândalos. O design futurístico do estádio principal foi descartado devido aos custos crescentes e o logotipo do evento foi substituído após acusações de plágio.

A governadora de Tóquio, Yuriko Koike, ganhou a eleição no ano passado e se tornou a primeira mulher a governar a cidade, prometendo reduzir os custos do evento. Em dezembro, os organizadores anunciaram um orçamento de US$ 15 bilhões a US$ 16,8 bilhões para a Olimpíada de 2020, dando respaldo à promessa da nova governadora de reduzir os custos, que, segundo projeção inicial, ultrapassariam os 3 trilhões de ienes (US$ 26,5 bilhões).

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